Largo das Forras, em Tiradentes: o legado de Burle Marx inspira um novo olhar sobre a praça
Um grupo de paisagistas se reúne para estudar a história, ouvir a comunidade e pensar o futuro de um dos espaços mais emblemáticos de Tiradentes, em Minas Gerais.

Largo das Forras, no centro histórico de Tiradentes, reúne diferentes camadas da história e da vida cotidiana da cidade.
Quem visita o Largo das Forras, no centro histórico de Tiradentes, talvez não saiba que está diante de uma paisagem que carrega a assinatura de um dos maiores nomes do paisagismo brasileiro: Roberto Burle Marx.
Muito além de um ponto turístico, a praça é lugar de encontros, celebrações e memórias. Um espaço que se transformou ao longo dos séculos e que agora inspira uma iniciativa coletiva para refletir sobre sua preservação e seu futuro.
Burle Marx e o Largo das Forras: uma história a redescobrir
No final da década de 1970, Roberto Burle Marx foi convidado a desenvolver projetos paisagísticos para diferentes espaços públicos de Tiradentes, entre eles o Largo das Forras.
Seu projeto para a praça, implantado no final dos anos 1980, buscava integrar vegetação, arquitetura e espaço público, respeitando a escala e a identidade da cidade histórica.
Décadas depois, a paisagem já não é a mesma. Árvores cresceram ou desapareceram, jardins foram modificados e os usos da praça se transformaram.
Mas uma pergunta permanece: como preservar o legado de Burle Marx e, ao mesmo tempo, responder às necessidades atuais de Tiradentes?

Um projeto coletivo para pensar o futuro da praça
Foi essa inquietação que mobilizou o Papo de Paisagista, em parceria com a Semana Criativa de Tiradentes, a reunir um grupo de profissionais voluntários para estudar possibilidades de requalificação paisagística do Largo das Forras.
A iniciativa reúne diferentes experiências e olhares, com um propósito comum: contribuir para a valorização de um espaço público que pertence à história e ao cotidiano da cidade.

Pesquisa, metodologia e escuta da comunidade
Intervir em uma paisagem histórica exige mais do que boas ideias. Por isso, o grupo está adotando uma metodologia de pesquisa e análise da paisagem, que considera suas dimensões históricas, ambientais, culturais e sociais.
O trabalho reúne levantamento documental e iconográfico, estudo do projeto original de Burle Marx, visitas técnicas, observação dos usos atuais e escuta da população. O objetivo é construir um diagnóstico consistente que oriente as futuras decisões paisagísticas.
Como parte desse processo, foi realizado um encontro com a comunidade no Centro Cultural de Tiradentes, reunindo moradores e representantes locais para compartilhar memórias, percepções e expectativas sobre o Largo das Forras.
A conversa trouxe lembranças dos grandes fícus que ofereciam sombra, dos jardins floridos, dos encontros entre amigos e das voltas ao redor da praça.
Histórias que mostram que o valor de uma paisagem vai muito além de sua aparência. Está também nas relações que as pessoas constroem com ela.


O Largo das Forras na Semana Criativa de Tiradentes
Em outubro de 2026, a iniciativa ganhou espaço na programação oficial da Semana Criativa de Tiradentes, com a apresentação “Paisagem é patrimônio: o legado de Burle Marx e o futuro do Largo das Forras”.
O encontro foi uma oportunidade de compartilhar as pesquisas realizadas, apresentar os desafios de intervir em uma paisagem histórica e ampliar o diálogo sobre o futuro da praça.
A programação incluiu também uma visita guiada ao Largo das Forras, conduzida pelos paisagistas envolvidos no trabalho. Uma experiência que levou a conversa para o próprio espaço, permitindo observar sua história, suas transformações e suas possibilidades.
A atividade foi um sucesso, reunindo pessoas interessadas em conhecer melhor o legado de Burle Marx e participar dessa reflexão coletiva sobre a paisagem de Tiradentes.


O futuro do Largo das Forras começa pelo olhar
A proposta de requalificação paisagística ainda está em construção. As pesquisas, os levantamentos e a participação da comunidade continuarão orientando as próximas etapas.
Mais do que recuperar um jardim, a iniciativa busca valorizar um patrimônio vivo, capaz de preservar sua história e continuar acolhendo novas gerações.
Porque uma praça nunca é apenas um desenho. É uma paisagem construída pelo tempo, pela natureza e pelas pessoas.
E antes de desenhar seu futuro, é preciso conhecer as histórias que ela já conta.
Este é o primeiro artigo de uma série especial do Papo de Paisagista sobre o Largo das Forras. Nos próximos conteúdos, vamos aprofundar a história do projeto de Roberto Burle Marx em Tiradentes e compartilhar os bastidores dessa experiência coletiva de paisagismo e patrimônio.
