Veiling Market – por Flávia Nunes

Calathea orbifolia (Acosta Plantas Ornamentais)

Em 2018 fui a primeira vez ao Veiling Market a convite da minha amiga Carol Costa. E ainda participei do 3º Forum de Paisagismo com Cate Poli, Gica Mesiara, Alex Hanazaki, Carol Costa, Luis Carlos Orsini, Daniel Nunes, José Marton que foi organizado pela Flortec na Granflora.

Anthurium maior que a minha mão (Geraldo Barendse)
Anthurium (Geraldo Barendse)

Na feira me deparei com vários produtores expondo as mais lindas plantas que são distribuídas pra todo Brasil.

Flor da Maranta leuconera var. erythroneura (Acosta Plantas Ornamentais)

Eram tantos que não consegui visitar todos os stands, o mesmo aconteceu na edição seguinte. Eram tantas novidades que eu queria fotografar tudo e conversar com os representantes e produtores, tirando dúvidas pegando contatos.

Echeveria Hot Chocolat (Vankampen)
Aglaonema Queen (Acosta Plantas Ornamentais)

Parada obrigatória no stand da Acosta Plantas ornamentais.

Deborah e Fernando me apresentando as novidades no mundo das folhas (Acosta Plantas Ornamentais)

Não tive como deixar só na lembrança tanta planta com potencial paisagístico e comecei a incluir nos projetos fazendo com que os meus fornecedores locais trouxessem para as lojas do Rio diversificando um pouco os produtos. Acho interessante a relação com os fornecedores.

Mil cores (Sitio Formosa)

Vou dar o exemplo da loja Chico Faria Flores que fica no Cadeg, eu encomendei a planta Mil cores que vi no box Sítio Formosa e como tinha anotado foi fácil informar de quem eu queria. Assim também com a Tradescantia do Sitio Campo que trouxe um diferencial pro jardim do meu cliente. É muito bom usar plantas diferentes e não ficar preso só ao que nos é fornecido.

Tradescantia fluminense tricolor (Sitio Campo)
Philodendron Xanadu (Acosta Plantas Ornamentais)

Usei numa cobertura no bairro de Laranjeiras, RJ o Mini hibisco que comprei pela Holambelo.

Petit Hibisqs (Panorama Flores)

Muitas vezes ouvi de colegas de profissão que tais plantas cultivadas em estufas não serviriam pra fazer jardim. Ah é? Então o que dizer dessas que estão lindas nas casas dos meus clientes?  É óbvio que planta de estufa vai queimar se eu usar a sol pleno, assim como o Croton Petra da Magna Flora está lindíssimo na minha sala em ambiente interno. Se você sabe a origem da planta é mais difícil errar na hora de selecionar plantas.

Stand Magna Flora sempre lindo e um abraço da Vivian Kleing que toda quarta feira posta conteúdo riquíssimo no Instagram da Magna Flora

É uma satisfação encontrar plantas que Burle Marx “introduziu” no paisagismo como as Selaginellas.

Chamada de Samambaia azul essa Selaginella (Sol Nascente)
Selaginella erythropus ‘Sanguinea’
Eu e Juliana Freitas encantadas com esta planta que até então só tinha visto no Sitio Burle Marx em Guaratiba RJ

O Veiling Market é uma feira de exposição para conhecer novos produtos e tendências do mercado de flores e plantas que acontece anualmente em marco e setembro.

O próximo Veiling Market será realizado nos dias 19 e 20 de março de 2020. Quer conhecer? O Papo de Paisagista esta organizando uma visita técnica, vamos juntos!


Quando o paisagismo encontra a arte e o design – por Chris Lara

Compreender o paisagismo como uma atividade integrada a outras artes abre portas para novas formas de manifestação da criatividade. O resultado são projetos com paisagens únicas e cheias de expressividade.

A diversidade botânica é, por si só, um grande elemento de criação — existem hoje mais de 46 mil espécies identificadas no globo, sendo 43% delas exclusivas do território nacional. Apesar de a grande maioria ainda não ser produzida para uso em projetos paisagísticos, a variedade disponível comercialmente vem crescendo, assim como o interesse das pessoas por se conectar com esse universo natural tão surpreendente.

Mas a expressão do paisagismo vai muito além. A integração e a incorporação de novos elementos na composição da paisagem — como esculturas, pinturas e peças de design — potencializam novas formas de interação entre o ser humano e o jardim.

Essa composição pode acontecer de maneira mais natural com o uso de elementos utilitários, como mobiliários e vasos.

Um dos clássicos bancos do artista Hugo França, reconhecido por transformar madeira descartada pela movelaria tradicional em esculturas mobiliárias. Uma marca do artista é manter ao máximo as formas orgânicas e a textura da madeira. É como se ela guardasse a memória da árvore. Foto tirada em Inhotim, onde estão 98 peças do designer. (Foto: @alemdoconcreto)
Peças do designer americano Caleb Woodart, reconhecido como um artista contemporâneo no trabalho de esculpir madeira e criar formas inusitadas. (Foto: Caleb Woodboard)

É fácil imaginar peças como essas, criadas a partir da interpretação das diferentes formas de trabalhar a madeira bruta, integradas a projetos paisagísticos, seja em ambientes domésticos, seja em espaços públicos ou até mesmo comerciais. Na contramão do orgânico, a introdução de elementos mais inesperados, como o vidro, fortalece a expressão artística do projeto. Uma alternativa para a criação de novos pontos focais e perspectivas visuais e sensoriais.

Instalações das esculturas em vidro do Chihuly Studio em grandes jardins botânicos: Royal Kew Gardens, Londres, 2019 | Franklin Park Conservatory and Botanical Gardens, Columbus, Ohio, 2019. (Fotos: @chihulystudio).

A paisagem passa a ser um espaço de contemplação da arte. Um lugar para ficar e refletir.

Obras em mármore do escultor Pita Camargo: Ambiente da CASACOR SC 2019 – Jardim das Lendas com projeto do Grupo Lenotre | Escultrura na Praça Pio XII em Florianópolis. (Foto Divulgação)

O jardim se torna mais atrativo e dinâmico. Cores, texturas, aromas e som se misturam para construir locais que nos convidam a vivenciar uma experiência de relaxamento.

Mural “O Jardim”, por Thiago Mazza. Um mural de 40x13m (520m²) como plano de fundo para um boulevard que recebeu o projeto idealizado por alunos do curso de paisagismo do SESC MG. Realização: Boulevard Shopping – Belo Horizonte. (Fotos autorais)

O caminho inverso também é valorizado. Cada vez mais o paisagismo é convidado a compor obras de arte, tornando-as mais vivas e realistas.

Instalação “The Crisis” do artista americano Rashid Johnson. Ele incorporou plantas de lugares diferentes como metáfora para o coletivo que existe dentro de cada ser humano. (Foto Galary Magazine)

Essa agregação é histórica, basta lembrar dos jardins reais com esculturas e topiarias, os delicados gazebos em ferro, as artes em pedra, granito e mármore.

Paisagismo é a arte em si. Mas quando ele incorpora outras obras, pensadas por outros artistas, o resultado pode surpreender.

Dicas para combinar plantas – por Vitoria Davies

É desconhecimento de muitos que o paisagismo envolve muito mais do que a seleção de plantas. Na verdade, ao se projetar um jardim, a escolha das plantas acontece no final de um planejamento que abrange primeiramente o planejamento do espaço – onde inserir caminhos, que tipo de piso usar, qual o melhor local para a churrasqueira, entre outras coisas. Isso se aplica também a coberturas, jardins de inverno etc. Como paisagista, adoro o desafio de todas as etapas desse processo, mas sempre senti atração especial pelo impacto criado com o contraste de cores, formas, texturas e alturas em um jardim, canteiro, parede verde ou vaso e pela técnica de combinar plantas de forma a criar esse impacto. E é sobre isso a coluna de hoje.

O britânico Alan Titchmarsh, autor de mais de 30 livros sobre jardinagem, e alguns outros profissionais tendem a achar que a criação de belas combinações de plantas resulta de um misto de intuição e de tentativa e erro. Tenho uma visão bem menos empírica a respeito, porque na verdade há um número de fatores que garantem belas composições. (Obviamente a escolha das plantas a serem combinadas tem que levar em conta as condições que elas requerem – por exemplo, se uma delas requer pouca água, não será possível combiná-la com outra que exija regas frequentes…)

Os fatores que garantem bons resultados seriam:

1.Contraste entre cores

Foto de Christina Salwitz

O vermelho e o verde são cores complementares, isto é, cores que estão opostas umas às outras no círculo cromático. Ficam mais vibrantes, intensas, quando combinadas, e esse contraste entre elas garante um visual impactante, como na composição acima. O mesmo se aplica às combinações de amarelo e roxo, azul e laranja.

Fonte: petalasnaturais.com.br

O contraste é mais sutil quando se combinam plantas ou flores de cores análogas, isto é, cores que aparecem uma ao lado da outra no círculo cromático, como vermelho e laranja; laranja e amarelo; amarelo e verde; verde e azul; azul e violeta; violeta e vermelho, ou em grupos com mais de duas cores análogas, como verde, amarelo e laranja; amarelo, azul e violeta etc. Embora o contraste seja menor, a combinação fica elegante:

Projeto de Vitoria Davies Paisagismo

As cores frias, como o azul, violeta, branco, amarelo claro e tons de verde passam uma sensação de calma e maior distanciamento, enquanto a combinação de plantas com cores quentes, como o laranja, amarelo e vermelho, é mais forte, se destaca mais.

Projeto de Cristiana Ruspa. Via Google

As plantas com tom prateado/azul-metálico funcionam como neutras e dão um toque especial junto a qualquer outra planta, ou conjunto de plantas, de cor diferente.

Via Google

A combinação de plantas com diferentes tons de uma única cor confere certa dramaticidade à composição:

Foto de Vitoria Davies
Fonte: Hayefield.com

Uma boa fonte de inspiração para combinar plantas no que diz respeito às cores são os cartões postais com pinturas de grandes pintores. Os artistas plásticos, mais do que ninguém, são craques em combinar cores…

2. Formato das folhas

Folhas com formatos diferentes ajudam a criar uma camada extra de interesse visual, fazendo com que o jardim, parede verde etc. tenham maior diversidade e, assim, fiquem menos monótonos. Por exemplo, espécies com folhas pontiagudas contrastando com plantas de folhagem arredondada:

Foto: Christina Salwitz

Quando se combina plantas com texturas diferentes, o efeito é similar.

3. Textura

Texturas contrastantes também sempre garantem bons resultados. A parede verde abaixo é um ótimo exemplo disso, onde o contraste marcante é entre o filodendro, com suas folhas lisas, e o aspargo, com sua textura crespa, embora a textura das outras plantas também contribuam para a beleza desta composição.

Via Google

Um outro bom exemplo do efeito do contraste de texturas:

Via Google

4. Estampas das folhas

Uma outra maneira de criar belas composições é contrastando as estampas das folhas, como no caso da combinação da alocásia amazônica com a begônia abaixo:

Foto de Christina Salwitz

5. Altura das plantas

A variação na altura das plantas também produz um visual mais interessante, com as diferentes camadas tornando a composição mais cheia e exuberante. Geralmente isso significa plantar as espécies menos altas na frente e as mais altas, atrás.

Foto de Vitoria Davies

Por uma questão “didática”, listei separadamente os tipos de contrastes que geralmente garantem composições impactantes. Mas, como se vê em várias das imagens mostradas, cada composição pode incluir mais de um tipo de contraste – cor e formato; cor, formato e textura; e assim por diante.  

Concluo a coluna com foto de uma pequena composição que fiz em uma cobertura, num local onde anteriormente, segundo a cliente, nada dava certo. O Alan Titchmarsh e outros diriam talvez que a minha “intuição” funcionou. Penso diferente: não tinha como não dar certo uma composição com esse infalível contraste de cores, formatos, texturas e alturas…

Projeto Vitoria Davies Paisagismo

A autoridade e o marketing – por Chris Lara

Quando você pensa em uma autoridade no paisagismo, que nome vem na sua mente? Talvez seja o mestre Burle Marx ou outro paisagista que admira muito. Provavelmente você pensará em pessoas reconhecidas, que parecem muito distante de nós, simples mortais. Sem negar a contribuição desses artistas, é possível aproximar o conceito de autoridade da perspectiva dos negócios na era da internet.

O mundo online deixou o conhecimento muito mais acessível e potencializou a comunicação, dando visibilidade a pessoas que usam as ferramentas disponíveis de forma estratégica para se posicionar como especialista em um determinado assunto.

O aumento das ferramentas de buscas, como Youtube e blogs, impactou diretamente no processo de tomada de decisão das pessoas antes da compra. Com fácil acesso a informações sobre o que precisam, os consumidores, sejam eles pessoas físicas ou empresas, ganharam autonomia para tomar decisões e definir o seu momento ideal de compra. Antes mesmo de fazer contato com possíveis fornecedores.

Isso significa que as pessoas estão consumindo mais informação sobre os temas de interesse. E o que não falta é conteúdo disponível, seja em comunidades, reviews de produtos e serviços, fóruns e etc. É aí que a estratégia de construir uma autoridade sobre um determinado assunto pode entrar a favor do seu negócio. Quando se posiciona como especialista você fortalece sua “marca”.

Quanto mais focado você for em um determinado assunto ou nicho, mais chance de conseguir aprofundar no conteúdo, podendo criar uma relação mais duradoura com o seu público. Ajudar as pessoas respondendo suas dúvidas, compartilhar conhecimentos consolidados (uma soma de tudo que aprende e testa), mostrar que se mantém atualizado e compartilhar suas fontes de conhecimento são formas de exercitar esse papel de autoridade.

Existe uma oportunidade aí para os paisagistas. É fácil encontrar no mundo online pessoas que falam para os amantes de plantas, mas poucos falam de forma aprofundada sobre o dia a dia de um paisagista profissional. Sobre como o profissional dessa área pode contribuir. Esse tipo de posicionamento, inclusive, pode ajudar a quebrar objeções fortes, como por exemplo, a famosa barreira em relação ao custo do projeto de paisagismo. A construção da autoridade pode ser uma forma de justificar ao público o seu valor.

O resultado pode vir em forma de clientes, vendas, parcerias estratégicas e visibilidade. Mas voltando ao início do texto e aos nomes dos profissionais que você reconhece como autoridade no paisagismo, a autoridade não se impõe e nem acontece do dia para a noite. Autoridade é aquilo que você constrói nos bastidores, com estudo, execução, e principalmente, resultado. Você conquista em consequência a dedicação e empenho. Paralelamente a essa construção, você mostra para o seu mercado o seu papel de especialista e como pode ajudá-lo.

Está calor aí? que tal um chuveirão no seu jardim? por Juliana Freitas

Quem aqui ainda está curtindo as férias? Estamos em pleno verão e sorte de quem pode aproveitar esse calor à beira de uma piscina ou nas praias lindas desse Brasil.

Estou aqui hoje para falar de um equipamento paisagístico que cai muito bem nesses tempos quentes e que eu adoro projetar, são os chuveirões!!!

Projeto Juliana Freitas e Lica Cukier (Foto: Gabriel Rosa)
Projeto Juliana Freitas e Lica Cukier (Foto: Gabriel Rosa)

Tem hora que não existe nada melhor do um banho de água fria, literalmente, se o cenário for convidativo e cheio de charme, fica melhor ainda.

E o paisagista é justamente o profissional que poderá transformar esse simples momento em algo especial, tudo depende do contexto e da criatividade.

Ducha embutida em ripado de madeira – Projeto Juliana Freitas e Andrea Reis (Foto: Karina Burigo)

Usando essa tal criatividade e muita vontade de criar ambientes diferentes, já inventei ducha que sai do meio das plantas, chuveiro que é destaque no jardim e tem o paisagismo apenas como moldura ou pelo contrário, fica bem discreto no meio de um ripadinho de madeira, enfim, para mim o importante é não ser óbvio e ter um charme a mais.

Ducha destaque no jardim – Projeto Juliana Freitas e FGMF
Projeto Juliana Freitas (Foto: Gui Morelli)
Projeto Juliana Freitas (Foto: Gui Morelli)
Projeto Juliana Freitas

Esses foram alguns dos Chuveirões que já instalei por aí e espero que tenha sido um banho de inspiração e boas referências tanto para quem deseja ter um chuveirão em casa quanto para quem projeta e leva essa ideia para seus clientes.

Bom verão à todos e até o próximo Papo de Paisagista!!!

#ficaadica – por Chris Lara

Vamos falar de uma ferramenta de busca que vem competindo com o Google quando o assunto é pesquisa de imagens, produtos e fornecedores de serviço: as hashtags (#) no Instagram.

Elas funcionam como um canal de pesquisa, permitindo que pessoas encontrem perfis e conteúdos associados ao tema pesquisado, seja ele mais genérico, como a nossa queridinha #paisagismo, ou mais específico, como por exemplo, #jardimverticalnatural, que mostra um tipo de serviço específico.

O algoritmo do Instagram seleciona publicações relacionadas à pesquisa e mostra posts que, além de conter a #, tenham gerado engajamento com outros usuários, separando-os por “mais relevantes” e “recentes”. Ou seja, não bastar sair colocando #, é preciso que o conteúdo seja de qualidade. Por isso, o indicado é usar uma hashtag quando ela for relevante e quando ela realmente descrever o post de algum modo.

Por exemplo, você posta uma foto de um arranjo com suculentas em uma mesa de jantar e inclui as #urbanjungle, #jardim e #suculentas. Pode ser que quem chegue à sua postagem pesquisando as duas primeiras hashtags se decepcione por não encontrar exatamente o que estava procurando. Já quem pesquisou por #suculentas pode gostar do que encontra, curtir a postagem e mostrar para o algoritmo do Instagram que o seu conteúdo era o que ele procurava.

Um possível caminho para escolher as # que vai usar é dividi-las por:

  • Nicho: por exemplo, no nosso caso poderia ser #paisagismo.
  • Conteúdo: aqui você pode explorar hashtags que resumem o conteúdo da publicação (nome da planta, tipo de projeto, jardimdesombra…).
  • Local: como forma de limitar geograficamente sua área de atuação ou mostrar um local específico da imagem.

Não vou entrar no mérito de quantidade de hashtags ou se é melhor coloca-las no comentário ou no feed, simplesmente porque acho que o caminho não é esse. Foque em merecer a audiência do seu público sendo coerente. A partir daí, o alcance é consequência.

#fica a dica: não coloque suas hashtags no piloto automático e lembre-se do mantra “Faça com o outro o marketing que gostaria que fizessem com você”.

O que é mulch – por Gabriel Kehdi

Quem busca a respeito de tendências na jardinagem e paisagismo provavelmente já encontrou esse termo. O mulch não é só benéfico, é essencial. Mas o que é isso?

Foto: LouAnn Clark, via Pixabay

Vamos direto ao ponto: mulch, ou mulching, é o nome em inglês para cobertura do solo com algum material que não seja plantas vivas. Qualquer coisa usada para cobrir o solo, seja folha seca, fibra de coco, casca de pinus, substrato, pedrisco, palha, argila expandida, conchas, qualquer coisa mesmo, recebe o nome de mulch.

Vidro sendo utilizado como mulch no Parque Amantikir, Campos do Jordão – SP
Foto: Gabriel Kehdi

Quando deixamos o solo exposto, deixamos a terra do jardim suscetível ao ressecamento, ao aquecimento excessivo, à erosão, a plantas daninhas, à compactação. Para evitar todos esses efeitos negativos utilizamos algum tipo de cobertura orgânica ou inerte. Assim o mulch favorece a retenção e umidade no solo, redução da temperatura, redução dos efeitos erosivos, redução da propagação de plantas daninhas, incremento da matéria orgânica (dependendo do material), favorecimento dos microrganismos benéficos do solo, redução da compactação superficial.

Mas há um jeito certo de fazer a cobertura do solo para beneficiar as nossas plantas, e não é tão intuitivo assim.

(Abaixo: Canteiros de árvores em Nova Iorque cobertos com folhas secas e triturado de madeira)

Canteiros de árvores em Nova Iorque cobertos com folhas secas e triturado de madeira.
Foto: Gabriel Kehdi

Assim como estabelece um dos muitos conceitos que regem a permacultura, todas as coisas num jardim devem apresentar mais de uma função. E o mulch não é exceção. Dê preferência para fazer o mulch com cobertura de origem vegetal, que ao se decompor irá incrementar matéria orgânica e nutrientes ao solo. Dessa maneira, além de trazer os benefícios que já comentamos da cobertura do solo, também melhoramos a fertilidade do solo. Substrato comercial, palha, fibra de coco, casca de pinus: esses materiais se decompõem com a ajuda dos microrganismos do solo, aumentando o teor da matéria orgânica. 

Foto: Manfred Richter, via Pixabay

Quando realizamos a cobertura do solo no nosso jardim para cobrir a terra de canteiros e árvores, devemos tomar alguns cuidados especiais. O principal deles é: jamais cobrir o colo das plantas. Colo é uma região muito sensível da planta, e é o ponto em que o caule vira raiz. O colo de uma planta não deve nunca estar muito exposto, nem muito coberto. Quando o colo de uma planta está exposto, ele sofre ressecamento, prejudica o desenvolvimento das raízes e reduz a estabilidade da planta. Quando o caule está muito coberto ocorre o chamado “sufocamento de colo”, que também prejudica as raízes e pode levar a planta à morte. Uma prática que é muito comum – e inadequada – é o “mulch vulcão”. Há pessoas que ficam tão entusiasmadas com a cobertura do solo que depositam quilos e mais quilos de material sobre o solo, soterrando as pobres plantinhas e árvores. Um mulch vulcão é um grande inimigo das plantas.

Quando o mulch acumula umidade e ainda há restos de material orgânico com potencial para apodrecer, inicia-se uma explosão de microrganismos que começam a decompor o material orgânico. Essa decomposição do material orgânico aumenta a temperatura do mulch, podendo a chegar surpreendentes 70°C. Essa temperatura é muito prejudicial para o desenvolvimento da planta, podendo matá-la. Esse ambiente de calor e umidade também pode favorecer o desenvolvimento de fungos e bactérias extremamente prejudiciais para as plantas, podendo causar podridão. 

Um outro aspecto importante a considerar é a origem do material a ser usado como mulch. Um material que foi mal armazenado, mantido ao relento, poderá apresentar diversas sementes de plantas daninhas, fungos e bactérias causadores de doenças, insetos indesejáveis, entre outros aspectos negativos. Ao realizar o mulch no jardim com um material de procedência ruim podemos espalhar problemas ao invés de solução. Por isso, tenha certeza de que o material escolhido para o mulch possui boa qualidade.

Foto: F. Muhammad, via Pixabay

Como aplicar o mulch no jardim:
Escolha o material da sua preferência para o mulch, e certifique-se de que a procedência seja confiável. Espalhe esse material sobre o solo de seus canteiros de modo que a cobertura tenha no máximo 3 cm de espessura, sendo 2 cm o ideal. Cubra todo o solo do canteiro, evitando que o mulch cubra o colo das plantas. Deixe um espaço entre o mulch e o caule, para garantir a circulação de ar adequada para o colo das plantas. E pronto! Fácil, não é?

Com essa dica seu jardim ficará ainda mais saudável e bem nutrido!

Plantas para sombra – por Gabriel Kehdi

A gente costuma pensar que sombra é tudo igual, mas não é. Importante: quando a gente fala em plantas de sombra, não estou me referindo àquele canto escuro da casa, embaixo da escada ou o corredor sem janelas. A base da vida das plantas é LUZ, por isso quando falamos em sombra estamos nos referindo obrigatoriamente à falta de luz direta de sol, mas com muita claridade ambiente!

Foto: StockSnap, via Pixabay

Classificação de tipos de sombra
Há três tipos diferentes de sombra, de modo geral. Essa é uma categorização minha, já que a maioria dos artigos sobre o assunto estão em inglês com termos dificilmente traduzíveis.

Podemos chamar de:
Claridade baixa – é aquela luminosidade distante da janela, mas com luz o suficiente para ler um livro com conforto.

Claridade intensa – é aquela junto da janela, mas sem luz direta do sol.

Luz indireta – é aquela claridade junto da janela, mas com algumas horas de sol (até 3 horas) por dia, no começo da manhã ou fim da tarde.
Atenção: plantas de sombra não gostam de pegar sol entre as 11h e 14h.

Importantíssimo: a luminosidade referida como claridade baixa não é o ambiente ideal para as plantas. Nesse ambiente as plantas são capazes de sobreviver com desenvolvimento lento. Dê preferência cultivar as plantinhas em claridade intensa ou luz indireta.

Um pouco sobre óptica
Outro fato importante pra considerarmos: a luz não faz curva (na verdade faz, considerando eventos astrofísicos, mas para efeitos domésticos vamos dizer que não faz). Dessa forma não espere que a planta que fica no canto da parede da janela fique feliz. A luz não pode entrar e fazer a curva para o cantinho. A melhor claridade é aquela diretamente oposta à abertura da janela.

Foto: LUM3N, via Pixabay

A luz pode ser sim refletida, e isso contribui muito para a vida das plantas de sombra. Quanto mais brancas forem as paredes, maior é o grau de reflexão de luz e maior é o volume de luz que irá incidir sobre as plantas. Mas atenção, grande parte da luz que é refletida pelas paredes é absorvida por objetos e superfícies escuras. Dessa forma existe perda de luz em ambientes internos.

Perceba também que quanto mais a gente afastar uma planta da janela, menos luz ela vai receber.

Um jeito mais “preciso” de medir
Uma forma um pouco mais “científica” de sabermos se um ambiente é bom ou não para as nossas plantas de sombra é medindo a intensidade luminosa.

O luxímetro é o aparelho que mede a intensidade de luz de um ambiente. Hoje em dia aparelhos celulares tem aplicativos relativamente bons para o serviço. Não são precisos como um luxímetro profissional, mas são gratuitos e de fácil acesso. Eu uso o Galactica para IOS.

Podemos definir os parâmetros em:
Claridade baixa: de 700 a 900 lux
Claridade intensa: de 900 a 1200 lux
Luz indireta: 1200 a 2000 lux

Para usar o aplicativo precisamos posicionar o celular no local que a planta será instalada e apontar a câmera em direção à fonte luminosa (janela, vão da varanda, porta, enfim) e o aplicativo indicará a intensidade luminosa. Para melhor compreensão, o aplicativo mede a quantidade de luz que chega na câmera, e dá o resultado em “lux”. Essa luz que chega na câmera será a mesma luz que chegará na planta que ocupará o local em que o celular está posicionado. Claro que cada aplicativo tem seu modo de operação, mas no geral são fáceis de usar.
Alguns aplicativos oferecem leitura em lux e candela. Prefira a leitura em Lux, já que os nossos padrões nesse artigo estão em Lux.

Plantas para sombra
Agora estamos com um novo olhar para cultivar nossas plantas dentro de casa ou ambientes sombreados! Muito mais profissional. Vamos ver as principais plantas para sombra de acordo com o nível de luz.

Claridade baixa (700 a 900 lux)
Zamioculca (Zamioculcas zamiifolia)
Fitônia (Fittonia albivenis)
Espada de São Jorge (Sansevieria trifasciata)

Claridade intensa (de 900 a 1200 lux)
Jibóia (Epipremnum aureum)
Marantas (Calathea; Ctenante; Maranta; Goeppertia; Stromanthe)
Columéia (Columnea sp.)
Filodendros (Philodendron sp.) (que não sejam espécies de sol)
Antúrios (Anthurium sp.)
Piléia (Pillea sp.)
Peperomia (Peperomia sp.)
Samambaias (que não sejam espécies de sol)
Corações emaranhados (Ceropegia woodii)Begônia (Begonia sp.)Hera (Hedera helix/canariensis)Singônio (Syngonium angustatum)

Luz indireta (1200 a 2000 lux)
Bromélias (que não sejam espécies de sol)
Filodendros (Philodendron sp.)
Costela de Adão (Monstera deliciosa)
Antúrios (Anthurium sp.)
Colar de pérolas (Senecio rowleyanus)
Samambaia paulista (Nephrolepsis sp.)
Medinila (Medinilla magnifica)
Cheflera (resiste à sombra, mas é de meia-sombra) (Schefflera arboricola)Dracena surculosa (Dracaena surculosa)  
Flor de cera (Hoya sp.

Faça o teste, meça a intensidade luminosa da sua casa e busque as melhores opções para deixar seu lar ainda mais aconchegante.

Xeropaisagismo e os jardins de Steve Martino – por Vitoria Davies

Na esteira da preocupação mundial com o progressivo esgotamento dos recursos hídricos do planeta, surge a moda do xeropaisagismo (grego xeros ‘seco’), isto é, a predominância de xerófitas no paisagismo, plantas que requerem pouca água, em geral por serem dotadas de caules e folhas carnudas para armazenar água, às vezes cobertas com uma camada de cera para diminuir a evaporação. São plantas que normalmente habitam áreas secas, como desertos, semi-áridos, caatingas e cerrados. O xeropaisagismo se tornou forte tendência em anos recentes e se mantém como uma das principais tendências do paisagismo para 2020, como reflexo da necessidade de se preservar nossos recursos hídricos e o meio ambiente. 

Estudos divulgados pela ONU em 2000 mostram que, em 2025, 45% da população mundial ficarão sem água potável. O desperdício de água e o elevado índice de natalidade dos países são os principais motivos dessa grave situação. Embora três quartas partes da superfície da Terra sejam compostas de água, a maior parte não está disponível para consumo humano, pois 97% são água salgada, encontrada nos oceanos e mares, e 2% formam geleiras inacessíveis. Apenas 1% de toda a água é doce e pode ser utilizada para consumo do homem e animais. Se mantivermos nosso padrão de consumo e de devastação do meio ambiente, o quadro irá se agravar mais ainda, e muito rapidamente. Daí a atual importância do xeropaisagismo.

Quando se pensa em espécies xerófitas, vêm logo à mente os cactos, as suculentas, a pata-de-elefante (Beaucarnea recurvata), o avelós (Euphorbia tirucalli), o dragoeiro (Dracaena draco), o dasilírio (Dasylirion acrotrichum) etc., mas na realidade há várias outras espécies, muito comuns e não típicas de áreas secas, que são também tolerantes à falta de água: a primavera (Bougainvillea), a lantana (Lantana camara), a grama azul (Festuca glauca), a palmeira-leque (Trachycarpus fortunei), a nandina (Nandina domestica), a ipomeia (Ipomoea purpurea), as árvores pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e mulungu (Erythrina velutina), entre outras.

Dragoeiro (Dracaena draco). Via plantasflores.net
Dasilírio (Dasylirion acrotrichum). Foto: Vitoria Davies
Grama azul (Festuca glauca). Via Pinterest
Ipomeia (Ipomoea purpurea). Via Google
Pata-de-vaca (Bauhinia variegata). Via Google

Uma prática fundamental no xeropaisagismo é a redução de gramados, grandes vilões no que diz respeito ao uso excessivo de água. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água do planeta, principalmente a praticada pelo setor agrícola, e o objetivo é que o paisagismo também contribua para a sua economia. 

Outra prática é o uso de plantas nativas, que, por serem adaptadas ao clima local, requerem menos regas. 

Um dos grandes expoentes do xeropaisagismo é o premiado arquiteto-paisagista americano Steve Martino (stevemartino.net). Originário do Arizona, Martino concentra seu trabalho no Deserto de Sonora. Para ele, o que define um bom projeto de paisagismo é especialmente o quão benéfico ele é para o meio ambiente, e não apenas o quão belo é e o quanto atende às necessidades do cliente. Ele usa apenas plantas nativas em seus projetos, no caso, plantas desérticas. Seus jardins são exemplos belíssimos de xeropaisagismo, aliado a uma arquitetura também excepcional, com influência do arquiteto-paisagista mexicano Luis Barragán (1902-1988) no uso de cores. 

Então, deliciem-se com alguns exemplos do trabalho deste xeropaisagista por excelência…

Via Pinterest
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As várias faces do marketing digital – por Chris Lara

Se alguém te pedir uma “ajudinha” para escolher as melhores espécies para criar um jardim exuberante, funcional e com baixo custo, você provavelmente terá que explicar que projetar um jardim não é tão simples assim. Terá que falar das N variáveis que podem interferir no resultado final.

Com o marketing também é assim. Por mais que existam fórmulas sendo apresentadas por especialistas nos muitos tutoriais disponíveis na internet, é preciso entender que, assim como no caso do jardim, não é algo tão simples. Apesar de mais acessível, o marketing digital, envolve conceitos e ferramentas que, às vezes, podem ser técnicos demais.

Por isso, para profissionais que não são da área mas precisam usar o marketing para alavancar o negócio, sugiro que, antes de estudar estratégias como Google ads, engajamento orgânico no Instagram ou marketing de atração (também conhecido como inbound marketing), invista tempo e energia para entender como se comunicar com seu público no canal escolhido.

Como? Testando! Esse é um dos grandes benefícios do marketing digital: ele é mensurável. Tanto é que a maioria das ferramentas de marketing já tem a análise de dados dentro de sua configuração básica. Assim, você pode avaliar o impacto das ações para montar a melhor estratégia. Em outras palavras: publique e avalie o resultado. Deu certo? Repita. Não deu? Faça diferente.

Vamos usar o exemplo do Instagram, provavelmente a ferramenta mais usada atualmente por profissionais autônomos.

O Instagram oferece para contas empresariais a ferramenta Instagram Insights, com análises sobre atividades, conteúdos compartilhados e público da página. O objetivo aqui não é explicar cada função disponível (a própria ferramenta traz a descrição dessas funções), mas, sim, estimular o uso desses dados para entender de que o seu público gosta e o que pode trazer mais resultado.

Fique atento ao seguinte:

O perfil dos seus seguidores: Informações sobre gênero, faixa etária e localização podem ajudá-lo a conhecer seu público, ainda que superficialmente, e ajustar a sua comunicação para atingí-lo.

O alcance das suas postagens: Ao comparar quais publicações apresentaram maior alcance, você pode focar em temas ou ideias com maior probabilidade de atingir mais pessoas. Considere variáveis de dias da semana e horário, pois elas representam a disponibilidade do seu público para interagir com seu conteúdo. Se os seus potenciais clientes têm baixa interação em horário comercial, por exemplo, por que concentrar suas publicações nessa hora do dia?

O comportamento da sua audiência: Você publica uma foto que tirou de uma planta que gosta muito e escreve na legenda: “Quem mais acha essa planta linda?”. Aí vem o resultado: uma única resposta com aquelas mãozinhas batendo palma. Não ignore esse sinal e continue criando postagens com a mesma intenção. Se você quer usar a ferramenta para chamar a atenção do seu público, precisa criar novas formas de fazer com que o seu conteúdo seja bom o suficiente para essas pessoas a ponto de fazê-las interagir.

Está vendo como não há respostas prontas? É preciso testar para ver se o público vai gostar de ver seu dia-a-dia de trabalho como paisagista, se ele se interessa por plantas exóticas, se ele gosta apenas de ver projetos acabados, ou se quer saber mais sobre cuidados com o jardim.

Faça testes de engajamento por tipo de conteúdo, por horário e dia de postagem, por uso de # e tudo mais que for mensurável. Repita o que deu certo, abandone o que não deu. Faça uma nova análise e siga testando. Só assim você vai entender a melhor forma de se comunicar. Qualquer semelhança entre essa rotina de marketing e a complexidade de um jardim não são mera coincidência.