Desde que cheguei da viagem ao Legado das Águas que estou com vontade de escrever sobre tudo o que vivemos naqueles dias. É a primeira vez que faço uma viagem técnica, somente com profissionais da área, e embora eu já tenha ido a vários locais de Mata Atlântica, essa viagem foi muito especial.

Primeiro porque estava com um grupo que não precisava me conter; se quisesse fotografar um graveto na estrada, estava tudo bem e não tinha aquelas observações: “lá vai ela fotografar a plantinha…” Estar em um grupo conciso, onde os pensamentos, os desejos estão alinhados é sem dúvida maravilhoso.

A vontade que todos tinham de provar, de aproveitar ao máximo cada momento dentro da mata, não perdendo nenhum detalhe, mesmo as vegetações que eram comuns para nós, ali naquele lugar, não havia nada de comum. Era o belo, aliado a um clima romântico, entre a chuva e tempo úmido, onde cada gota que caí fazia a mata ficar mais linda e misteriosa.

Contamos com o apoio da equipe do Legado, e todo conhecimento e experiência, de cada um ali, à nossa disposição. Eles ansiosos em nos ouvir e nós em aprender com a vivência deles. O convívio diário na mata, conhecendo sobre o desenvolvimento de cada espécie e suas particularidades; a colheita das sementes e mudas, para reprodução e estudos nos viveiros; as novidades que preparam para apresentar ao Paisagismo e o mais importante, a possibilidade de uma maior inserção dessa vegetação no nosso dia a dia, em nosso trabalho de criação de paisagens. E o nosso dever de olhar cada vez mais seriamente para esse Bioma riquíssimo que é a Mata Atlântica.

Voltei a São Paulo com um pensamento: temos que priorizar o uso dessas plantas; temos que trazer de volta para o meio urbano as árvores, os arbustos e forrações e com eles, a fauna e flora pertencente a essa cadeia natural. É nosso dever inserir as vegetações desse Bioma em tudo que projetamos; aproveitar cada vez mais cada possibilidade para resgatar, em nossas cidades, toda a natureza que devastamos ao longo dos anos.

Sabemos que muitas plantas exóticas se adaptaram bem ao nosso clima, mas é imprescindível levar ao conhecimento do nosso cliente que temos opções tão bonitas quanto as comercializadas hoje em dia. Criar um ciclo entre consumidor, fornecedor e produtor para que num futuro breve, possamos ter muito mais arvores nativas nas ruas, muito mais plantas nativas nos parques e áreas verdes e muitas opções para o paisagismo residencial.

Não quero mais ter que ir longe para ter perto de mim toda a exuberância de vegetação da Mata Atlântica. Quero a mata aqui, a partir de agora e essa será a minha missão nessa arte de criar paisagens.



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0 comentários sobre “Paisagismo com propósito – por Gi Maciel

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