Queridos e queridas paisagistas, espero que estejam bem e com saúde! Estou chegando aqui com um diazinho de atraso para o nosso papo semanal, mas com muita alegria para continuarmos a nossa conversa por aqui sobre A Nova Cidade. Hoje eu quero te contar a história que deu origem ao maior jardim japonês no mundo (fora do Japão), que fica na cidade de Maringá, no Paraná – aqui mesmo, no Brasil.

Eu estive lá para conhecer o projeto ainda em obras, em 2015, com o então ex-prefeito de Maringá Silvio Barros, e fiquei de boca aberta com tanta beleza. Uau! O jardim fica em meio a um grande complexo com área total de 100 mil metros quadrados, que contém centros gastronômico e esportivo, um modelo de Casa de Chá, um teatro, sala de eventos e um Jardim Imperial Japonês. O projeto é bafônico! Mas a história que levou a ele é ainda mais.

Maringá é uma cidade muito marcada pela colônia japonesa – grande parte de sua população possui raízes no Japão. Então, naturalmente a cidade foi estreitando laços diplomáticos e culturais com a terra do sol nascente. Até que, em meados de 2008, no centenário da imigração japonesa, começou-se uma movimentação para a celebração da data. Foi então que arquitetos e paisagistas japoneses resolveram presentear a cidade Maringá, que tão bem acolheu seus conterrâneos, com o projeto do Parque do Japão – algo de um valor inestimável.

Ao receber esse projeto em suas mãos, o então prefeito Silvio Barros se sentiu imbuído da missão de colocá-lo em prática. Para ele, seria inadmissível não aproveitar esse tesouro. Começou, então, a procurar na cidade um espaço propício onde o parque pudesse ser construído. Então se deparou com um terreno privado gigantesco – e foi conversar com seu proprietário. Sua proposta era que ele vendesse metade do seu terreno, que estava desvalorizado por causa de sua distância do centro urbano. Nessa metade doada, seria construído o parque, valorizando muito o restante da propriedade. Após algum tempo de negociações, o negócio foi fechado – e, note que até esse momento, nenhum dinheiro foi gasto.

O projeto, então, foi aprimorado por arquitetos brasileiros e acrescido de um plano de preservação ambiental e sustentabilidade financeira – para que o próprio parque pudesse gerar renda com seus equipamentos culturais e se manter sempre em ordem, bem cuidado e próspero. Alguns anos depois, o Parque do Japão foi inaugurado.

Acredito que essa história nos traz um importante ensinamento, fundamental especialmente nos dias de hoje, que é exercitarmos a nossa visão, nossa capacidade de enxergar as oportunidades que se manifestam em nossa vida. Neste momento em que muitas coisas estão passando por transformações – nossas casas, nossa rotina, nossos hábitos, nossas profissões, etc – a capacidade de visualizar o que se quer realizar, a vida que se quer levar, e as oportunidades para colocar essa visão em prática, é fundamental.

Se você tiver vontade de se aprofundar nesse assunto, meu podcast A Nova Cidade desta semana é exatamente sobre isso! Clique AQUI para ouvir.

Um super abraço e até a semana que vem!


NATÁLIA FONTES GARCIA é jornalista e escritora. Investigou, em mais de 100 destinos pelo mundo, novas e melhores formas de viver em cidades. É criadora da consultoria de inovação urbana para pessoas e organizações A Nova Cidade. E é também autora do livro Sete Dias No Butão – O Que Aprendi Sobre Felicidade. 

@nataliagarcia.lampejo

Compartilhe este conteúdo com seus amigos:

Deixe aqui seu comentário!