Está calor aí? que tal um chuveirão no seu jardim? por Juliana Freitas

Quem aqui ainda está curtindo as férias? Estamos em pleno verão e sorte de quem pode aproveitar esse calor à beira de uma piscina ou nas praias lindas desse Brasil.

Estou aqui hoje para falar de um equipamento paisagístico que cai muito bem nesses tempos quentes e que eu adoro projetar, são os chuveirões!!!

Projeto Juliana Freitas e Lica Cukier (Foto: Gabriel Rosa)
Projeto Juliana Freitas e Lica Cukier (Foto: Gabriel Rosa)

Tem hora que não existe nada melhor do um banho de água fria, literalmente, se o cenário for convidativo e cheio de charme, fica melhor ainda.

E o paisagista é justamente o profissional que poderá transformar esse simples momento em algo especial, tudo depende do contexto e da criatividade.

Ducha embutida em ripado de madeira – Projeto Juliana Freitas e Andrea Reis (Foto: Karina Burigo)

Usando essa tal criatividade e muita vontade de criar ambientes diferentes, já inventei ducha que sai do meio das plantas, chuveiro que é destaque no jardim e tem o paisagismo apenas como moldura ou pelo contrário, fica bem discreto no meio de um ripadinho de madeira, enfim, para mim o importante é não ser óbvio e ter um charme a mais.

Ducha destaque no jardim – Projeto Juliana Freitas e FGMF
Projeto Juliana Freitas (Foto: Gui Morelli)
Projeto Juliana Freitas (Foto: Gui Morelli)
Projeto Juliana Freitas

Esses foram alguns dos Chuveirões que já instalei por aí e espero que tenha sido um banho de inspiração e boas referências tanto para quem deseja ter um chuveirão em casa quanto para quem projeta e leva essa ideia para seus clientes.

Bom verão à todos e até o próximo Papo de Paisagista!!!

Costela de quem e deliciosa por que? por Juliana Freitas

Queridíssima dos paisagistas brasileiros, adorada por todos no Brasil e em muitos países do mundo, ela nunca saiu de moda e nem vai !!!
Estou falando da Costela de Adão que leva o nome cientifico de Monstera deliciosa.
Para matar a curiosidade, o nome Costela de Adão surgiu porque a folha parece mesmo uma costela, meio óbvio né?

Mas vocês sabem os porquês do nome científico?
Monstera é a palavra em latim para “monstruosa” devido ao formato e tamanho de suas folhas pouco comuns, é na verdade um Gênero que tem aproximadamente 60 Espécies mas, eu diria que a deliciosa é a mais famosinha !!!
Deliciosa porque ela oferece um fruto comestível, e por isso está na lista das PANC ́s (Plantas Alimentícias Não Convencionais), que é considerado delicioso !!!
Com esse desenho de folha incrível elas destacam-se em qualquer lugar, seja um vasinho com uma única folha na água, seja em um jardim com um grande maciço de mudas.

Monstera deliciosa no Jardim. Fonte: Pinterest

Elas sobem, descem, se esparramam… aceitam poda tranquilamente, aceitam sol apesar de preferirem uma sombrinha fresca enfim, são seres sem “mimimi” e que não costumam exigir muito.
Assim vocês podem usar e abusar dessa planta, basta apenas o mínimo necessário como um substrato rico em matéria orgânica, regas frequentes que mantenham a umidade do solo e tutoramento, pois trata-se de uma trepadeira.
Um detalhe que vale comentar é que as folhas, na verdade toda a planta é tóxica e pode causar algumas lesões na pele.

Fruto da Monstera deliciosa. Fonte: Pinterest.

No entanto, o fruto é muito benéfico para a saúde, vejam o que diz a fonte O Herbalista:

Rica em vitamina C: A vitamina encontrada na fruta, é ótima no auxilio da cicatrização de ferimentos, ajuda a manter a saúde do coração, auxilia na prevenção de doenças degenerativas e tem papel fundamental na metabolização de outros nutrientes.

Protege da Anemia: Auxilia na absorção de ferro dos alimentos consumidos, o que é benéfico na contagem de glóbulos vermelhos e aumento da hemoglobina. Ao consumi-la você ajuda seu corpo a se proteger dos efeitos devastadores da Anemia.

Fonte de Proteínas: Como fonte de proteínas, a Costela de Adão, ajuda seu corpo no aumento da imunidade e também na circulação sanguínea, digestão e metabolismo.

Controle do peso: Com baixa quantidade de gorduras e uma adequada quantidade de carboidratos, o consumo da fruta pode auxiliar no controle e perda de peso.

Rica em Fósforo: O Fósforo é um nutriente essencial, necessário para o funcionamento celular, regulação do cálcio, para manter ossos e dentes fortes e para fazer ATP (adenosina trifosfato) uma molécula que fornece energia para as nossas células.

https://o-herbalistabr.blogspot.com/2017/04/costela-de-adao.html

Monstera deliciosa em vasos
Monstera deliciosa subindo pela parede – planta trepadeira

E tem outras variações interessantíssimas como a Mini Costela de adão que não cresce tanto e não tem a folha tão grande, bem apropriada para vasos pequenos e cantinhos especiais da casa, ou a de folha variegata que é  maravilhosa e bem menos comum.

Monstera deliciosa variegata

Mas na minha opinião, a deliciosa não deveria reinar sozinha porque outras também têm seu charme, como é o caso da Monstera obliqua e tantas outras variedades…

Monstera obliqua
Monstera obliqua

E como se não bastasse a utilização nos jardins que só aumenta com essa moda toda, está cada vez mais frequente nos depararmos com as folhas dessas plantas em estampas de roupas, acessórios e objetos de decoração.

Por enquanto eu continuo fascinada e viciada nessas belezas tropicais mas, espero que a gente não “enjoe” de ver tanta costela-de-adão em nossas vidas !!!
Até nosso próximo PAPO !!!

O que vem primeiro, a planta ou o pergolado? por Juliana Freitas

Um jardim aconchegante normalmente tem um lugarzinho para sentar e apreciar a paisagem, observar os detalhes da natureza, curtir um momento de tranquilidade ou reunir pessoas, e para criar esse tipo de ambiente uma boa solução é utilizar os pergolados.

Pergolado em alvenaria com trepadeira Glicínia – Via Pinterest

No entanto, projetar pergolados não é uma tarefa tão simples quanto parece, pois precisamos pensar em muitos detalhes importantes que vão além da implantação (localização no jardim) e envolvem algumas questões técnicas, como definição de área, medida de pé direito, desenho estrutural com materiais apropriados, revestimentos, iluminação, mobiliário e ornamentos.

Para tanto é importante definir primeiramente o uso do espaço. Como será esse ambiente? Será uma sala de estar ou terá apenas uma simples rede de descanso, uma mesa de refeição ou um banco?

Ambiente com mesa e para tanto a sombra foi proporcionada por uma “cortina de flores” da trepadeira Ipomea rubra – Via Pinterest

A funcionalidade do ambiente influenciará em várias decisões como por exemplo a localização no terreno e consequente insolação, as dimensões do ambiente e da própria estrutura e o tipo de cobertura pretendida, que pode possibilitar diferentes situações como uma luz filtrada ou sombra total.

Ambiente Gourmet sob luz filtrada – Via Behance
Redário com o perfume do Jasmim dos poetas – Via Pinterest

Mas a pergunta é: o que escolher primeiro a estrutura do pergolado ou a espécie vegetal que irá cobri-lo?

Não existe uma regra e acredito que isso pode variar de acordo com a criatividade do paisagista, mas no meu caso, quando estou projetando, prefiro escolher primeiro a espécie vegetal para depois desenhar uma pérgola sob medida para ela, criando uma harmonia entre estrutura de apoio e planta trepadeira, tirando proveito do que cada espécie tem de mais interessante para nos mostrar.

Para que vocês entendam melhor o que estou dizendo, vou ilustrar com algumas imagens e explicar alguns poucos exemplos dentre uma enorme diversidade de opções de plantas trepadeiras com características tão específicas e diferentes.

A trepadeira Sete léguas, quando utilizada em pergolados, o objetivo deve ser o visual de cima da cobertura porque as flores se dão na parte de cima e não serão contempladas a partir da visão de quem está dentro do ambiente, embaixo do pergolado de onde só serão vistos os seus galhos.

Portanto essa trepadeira deve ser utilizada para ser vista de uma certa distância ou até mesmo a partir das janelas de um andar mais alto.

Pergolado de madeira com trepadeira Sete-léguas – Via Pinterest

No caso das trepadeiras que florescem em cachos pendentes como é o caso da Jade, Sapatinho de Judia, Brinco de princesa e outras, precisamos explorar a beleza das flores e integrá-las ao ambiente pois elas serão a atração principal e com certeza não vão passar desapercebidas na época da florada.

Pergolado em madeira com trepadeira Jade vermelha – Via Pinterest

Importante lembrar que no caso dessas flores pendentes temos um outro detalhe para pensar que é a circulação das pessoas que vão usar o espaço, portanto nesses casos é interessante criar um pergolado com pé direito mais alto que o padrão conhecido, assim as flores ficam em altura adequada para serem apreciadas mas sem atrapalharem o uso do ambiente.

Pergolado metálico com pé direito alto para a trepadeira Glicínia – Via Pinterest
Pergolado em formato de arco com pé direito alto para a trepadeira Sapatinho de judia – Projeto Juliana Freitas

E como a criatividade é ilimitada os projetos das estruturas podem variar muito e opções de plantas é que não faltam para compor com cada situação.

Tem espécie fácil de conduzir que permitem criarmos um arco na entrada da pérgola, tem espécie de crescimento rápido ou lento e você pode escolher conforme seu objetivo, tem umas mais densas que proporcionam mais sombra e outras mas ralas que permitem mais entrada de luz solar, tem as muito perfumadas, as de perfumes suaves e as que nem perfume tem, enfim… o cardápio é grande e a criatividade também.

Pergolado em arcos metálicos com rosas trepadeiras – Via Pinterest
Pergolado metálica com treliça em apenas metade da área e trepadeira Glicínia – Projeto O’Neill Rose Architects – foto Michael Moran

Portanto, sejamos conscientes e responsáveis para projetar levando em consideração tantos detalhes importantes e assim, realizar sonhos sem criar problemas futuros para nossos clientes.

Até nosso próximo Papo !!!

Que tal sair da “mesmice” e escolher plantas menos comuns? por Juliana Freitas

Sempre gostei de estudar as espécies vegetais, decorar os nomes populares e científicos das plantas, conhecer as famílias e gêneros botânicos, descobrir plantas novas todos os dias. Pode parecer coisa de maluca, mas é uma paixão e na verdade eu faço isso a 20 anos !!!

E assim eu segui minha carreira de arquiteta paisagista fazendo projetos bem diferentes uns dos outros, experimentando muitas plantas e desenhando paisagens diversas. Até hoje curto muito essa diversidade e faço uso dela em meus desenhos.

Mas tem um problema que já enfrentei muitas vezes que é o meu assunto de hoje e vai ser o tema do Papo Online que faremos no dia 09 de abril com a Paisagista convidada Flavia Nunes.

Trata-se de “Especificar algumas plantas em projeto e depois não encontrá-las para comprar na hora de implantar o jardim”. A gente tenta inovar, ser diferente mas muitas vezes acabamos caindo na “mesmice”.

Alocasia nigra – Orelha de elefante – essas são do Viveiro Spagnhol Plantas

Mas vcs sabiam que esse é um problema que tem via de mão dupla? Com os anos de profissão eu fui conhecendo proprietários de viveiros e descobri que muitos deles param de produzir plantas bem especiais, simplesmente porque não as vedem… fácil de entender !!! Por outro lado, os profissionais param de especificar porque não as encontram nos viveiros… fácil de entender também !!!

Muitas espécies nativas da nossa flora passaram a ser consideradas “raras” e deixaram de aparecer nos projetos dos paisagistas pela comodidade na hora da implantação, já que todos preferem especificar espécies vegetais normalmente encontradas nos Gardens e Centros de Distribuição de Plantas como o famoso CEASA (São Paulo e Campinas).

Tradescantia fluminensis – Erva-da-fortuna – Viveiro Ciprest

E a consequência disso é que além dos projetos sempre muito parecidos, as produções perdem a variedade já que os produtores investem nas plantas da “moda” que vão dominando e ocupando o espaço de espécies que passam a ser mais “raras ou menos comuns”.

“Infelizmente o uso corriqueiro de algumas plantas ornamentais faz com que o produtor não tenha o estímulo de produzir algumas plantas de valor ornamental potencial, por falta de uso” diz a paisagista Flavia Nunes.

Segundo a paisagista “devemos trabalhar em parceria com os produtores afim de incentiva-los a sempre produzir novidades”.

Strobilanthes dyerianus – Escudo persa – Viveiro Ciprest
Solandra Máxima – Trombeta dourada – Viveiro Ciprest

Sabemos que os produtores estão super abertos à cultivarem espécies diferentes e que esperam sugestões dos profissionais. Eu mesma já pedi para produzirem certas plantas que eu queria experimentar, eles me atenderam e adoraram receber o meu pedido.

“Gostaria que os que viessem depois de mim pudessem, pelo menos, ver alguma coisa que ainda lembrasse o país fabuloso que é o Brasil do ponto de vista botânico, dono da flora mais rica do Globo.” Roberto Burle Marx

Hohenbergia castellanosii – Bromelia – Viveiro Plantação Local

E aí pessoal, vamos valorizar a nossa flora e surpreender nossos clientes? Um jardim deve trazer boas surpresas ao longo do ano, apresentando novas cores, diferentes volumes, encantando com seus perfumes e sempre modificando-se, assim como é a VIDA !!!

E se quiserem saber mais sobre o assunto e conhecer uma variedade de espécies vegetais diferentes e lindas, vou deixar aqui embaixo o link do Papo de Paisagista Online que aconteceu no dia 09 de abril e a gravação está disponível para compra.

https://www.sympla.com.br/gravacao-do-papo-de-paisagista-com–flavia-nunes__503697

Até nosso próximo Papo!!!