Um jardim holandês no Brasil – por Dorothi Bouwman e Chris Lara

A visita a um jardim temático nos trás a oportunidade de viajar, no tempo e no espaço.

A nossa viagem hoje é pelo jardim do Museu Histórico de Castrolanda (fundado em 2016), uma réplica dos jardins da região da Holanda de onde vieram as famílias que fundaram a colônia. Um jardim que além de valores culturais, nos apresenta outras formas de viver.

A proposta deste projeto envolveu a contextualização do paisagismo com a época de uma construção rural típica do tipo “Hallehuisgroep” (residência e estábulo debaixo do mesmo telhado, sendo a residência na parte da frente da construção e o estabulo ao fundo), do leste da Holanda de onde vem os imigrantes holandeses da Colônia Castrolanda.

A responsável pelo desafio de resgatar a identidade e a história de um jardim tipicamente rural holandês é a paisagista Dorothi G Bouwman, que apesar de descendente, precisou estudar a fundo os hábitos e costumes das pessoas que viviam neste tipo de propriedade no século XIX.

A cultura do jardim rural holandês

Quando se pensa em uma propriedade rural daquela época, logo vem a mente aspectos como funcionalidade e praticidade, pois o jardim era criado para atender algumas necessidades básicas da família. Estes jardins dependiam exclusivamente da dedicação da esposa, já que o marido era o responsável pelo cuidado com os animais e as atividades agrícolas. Não sobrava muito tempo e não havia terceiros para fazer a manutenção.

Praticamente todo jardim tinha uma horta, um pomar e um poço de água. Também havia a necessidade de planejar o jardim visando evitar a entrada ou saída dos animais e criar uma barreira de proteção contra ventos fortes, para isso, eram plantadas árvores altas na lateral das propriedades.

Quanto maior o poder aquisitivo, maior a quantidade de plantas ornamentais introduzidas ao longo do tempo. A mistura de plantas também era consequência das visitas que as esposas faziam, levando sempre uma muda para presentear e trocar com a vizinha.

Entre os estilos que influenciaram os jardins holandeses da época estão o estilo clássico e o de cottage, além da influência naturalista.

O projeto do jardim holandês de Castrolanda

Com este estudo inicial gerou-se uma expectativa de releitura que deveria ser clara, isto é, fácil de interpretar e de ser apreciada pelos futuros visitantes do museu.  

E assim vieram os desafios. Como trazer todos estes elementos para o jardim de forma organizada e harmoniosa? Quais espécies incluir no projeto para atender as características do clima local, que estejam disponíveis em viveiros no Brasil, e que ao mesmo tempo tenham relação com um jardim rural holandês. Na etapa da implantação, como fazer esta mistura sem parecer uma bagunça? Quais pisos utilizar que representem o estilo e que atendam as regras de acessibilidade. Como era este poço utilizado naquela época? Para o quebra-vento, qual espécie escolher?

A solução para todas estas perguntas você poderá acompanhar a seguir.

Planta baixa do projeto

A planta baixa mostra os desenhos orgânicos nos canteiros frontais e laterais, como no estilo cottage, e o estilo clássico com desenhos geométricos com um eixo que engloba a horta, o pomar, o poço e termina em um pergolado.

Fotos atuais do projeto

Vista dos canteiros orgânicos com a mistura de espécies. Foram utilizadas espécies com diferentes épocas de floração como: Rododendro, Hortensia, Budleia; Arbustos com folhas interessantes como o Mini Pitosporo, Nandina Anã, Fotinea; alguns tipos de Capins e também folhagens para forração como o Liriope, Flores anuais como a Dahlia , Salvia Farinacea , entre outros.
Pátio central com topiaria de buxinho e capim do texas observando o eixo até o pergolado ao fundo.  No piso desenhos com  paver antique , paver clay também e piso drenante , que neste caso foi escolhido para remeter a uma cobertura de pedriscos.
A horta em canteiros elevados.
Poço ao centro para retirada da água (típico da época). A alavanca era uma forma de facilitar o trabalho para a mulher.

Estas imagens mostram o Álamo piramidal como quebra vento no limite do terreno e a vista do pergolado.

Sobre a paisagista

Dorothi G Bouwman é engenheira agrônoma e paisagista, descendente de Holandeses, da colônia de Carambeí. Seu primeiro contato com o paisagismo foi em 2001, quando foi convidada para implantar um projeto de outra paisagista. Já formada em agronomia, ela experimentou novas formas de aplicar seu conhecimento e se apaixonou. Desde então seguiu se profissionalizando na área e se dedicando a novos projetos envolvendo o paisagismo.

Em seu trabalho, ela preza muito por trazer a cultura e os valores do cliente para o jardim, seja uma família ou uma empresa. “Dessa forma colocamos a identidade do cliente no jardim, e as pessoas quando visitam percebem que este local é diferente.”

Esta coluna foi uma parceria da Dorothi com a Chris Lara, para o Papo de Paisagista. Uma forma de compartilhar novas histórias e apresentar projetos e jardins inspiradores.

Imagens: Geraldine Bouwman

A história do jardim – por Chris Lara

Como o storytelling pode te ajudar a conversar com seu público

Quem não gosta de uma boa história? As narrativas são parte da nossa forma de se relacionar com o mundo desde sempre.  Em casa, nas escolas, nos livros, nas telas. O próprio paisagismo tem sua história. Personagens, mudanças na forma de pensar e interagir com o ambiente, diferentes momentos do homem e a sua relação com o jardim.

As histórias marcam. Por isso elas vêm sendo usadas também pelas marcas para dar significado ao seu negócio e se conectar.  Se a técnica de storytelling – traduzido do inglês como narrativa – vem sendo amplamente usada no mundo da publicidade para falar de itens como carro e até mesmo margarina, imagina o que não é possível criar quando falamos em jardins.

A história de um jardim, seja em uma apresentação de projeto ou em um dialogo nas redes sociais, pode ser um convite a um passeio. Ao falar de um jardim, independente do tamanho, falamos de pessoas, experiências e sensações. Não precisa de muito esforço para humanizar um contexto com estes elementos.

Conte a sua história

A história focada na marca, seja ela uma empresa ou pessoa, responde perguntas aparentemente simples: quem é você e como você pode ajudar as pessoas. Seria uma forma de compartilhar “o porquê você se importa”. Uma oportunidade de criar conexão de valores.

A história dos seus projetos

Todo projeto é uma história por si só, que apresenta em seu enredo desafios, desejos e como estes foram solucionados e atendidos. Quando olhamos por essa perspectiva percebemos que a resposta para a pergunta “porque você escolheu aquelas espécies?” pode ir além dos conceitos técnicos, como plantas de sol ou meia-sombra, e render uma boa narrativa.

Por trás da história do jardim

A planta, o gato, o vaso que era da avó, a muda que foi um presente, os momentos que já foram vivenciados e os que ainda estão por vir. Grande parte do trabalho como contadores de histórias vem do saber ouvir com atenção. A reunião de briefing pode te render mais do que anotações no caderno.

Vou te contar uma história!

E para deixar este artigo bem real, te convido para conhecer a minha história. Em cada texto que escrevo para o Papo de Paisagista compartilho um pouco de quem eu sou e da minha forma de enxergar o paisagismo como uma profissão linda e muito importante. Mas desta vez senti que poderia ir um pouco além, me abrir um pouco mais.

Por isso gravei um vídeo contando um pouco da minha história. Falo sobre a minha relação com o paisagismo, como tudo começou e para onde estamos indo. Veja no IGTV do @jardimavista

Como eu acredito que a comunicação é um caminho de mão dupla, caso seja inspirado por esse artigo a contar novas histórias, peço que compartilhe a experiência comigo, me marcando ou enviando por mensagem. Vamos fazer uma rede de histórias de jardins.

O excesso e a falta do mundo digital – por Chris Lara

Mais do que nunca, nesses tempos de quarentena, estamos sendo desafiados a usar a nossa consciência para viver o equilíbrio em todos os aspectos da nossa vida. O digital se mostrou um grande aliado dos negócios e dos empreendedores, que ganharam autonomia para comunicar o seu produto ou serviço. Mas, para quem está do outro lado da tela do celular, o barulho ficou alto demais. Muita gente, querendo falar com muita gente ao mesmo tempo.

Junto com o excesso de informação que nos distrai, consome nosso tempo, ou ainda pior, nos estressa, vem a falta da autenticidade. Na busca frenética para chamar atenção, muitas pessoas acabam gerando cópias ou conteúdos vazios.

Podemos atribuir esta sensação de que o meio digital está saturado à falta de conexão com as mensagens que recebemos. E quando você – na posição de ouvinte – percebe isso, qual seria a sua reação? Cortar essas conexões. Simples assim. E o outro lado, que está mandando a mensagem, precisa saber interpretar esse sinal e se preparar melhor para conquistar o direito de ser ouvido.

Seletividade natural

O futuro é privado. Ele é mais próximo, mais íntimo. O dialogo real, entre consumidores e empresas, será uma escolha da primeira parte. Isso significa que as pessoas escolhem de quem elas querem receber informações e como elas querem que isso aconteça.

Isso muda a lógica de relacionamento e construção de valor na internet. Na prática, significa que apesar de ainda ser coletiva (de 1 para N), ela acontece com apelo individual. Você deve usar os seus canais de comunicação como se estivesse conversando com uma pessoa na sala de estar da casa dela, ou melhor, no jardim.

Então, se você vai aproveitar esse período de isolamento social no mundo físico para explorar um pouco mais o universo digital, vá fundo. Mas vá mais fundo ainda na dose de personalidade que vai usar nessa comunicação. Se pergunte, por exemplo: O que as pessoas com as quais quero me conectar para apresentar o meu trabalho gostariam de ouvir de mim neste momento? Não pense só em atributos do seu portfólio e serviço, mas também em características pessoais suas que podem fazer com que o cliente te escolha. A escolha de um paisagista tem a ver com atributos como segurança, credibilidade, experiência, mas também com afinidade.

Aproveite essa jornada do isolamento para se conectar com sua essência e com o que te trouxe até aqui. A resposta para o seu posicionamento de marca está dentro de você, e não em uma fórmula mágica de lançamento de produto.

Apesar da recessão econômica, os valores irão mudar. A necessidade de contato com a natureza, que já vinha aflorando à medida que o ser humano despertava para uma vida mais verdadeira, vai falar ainda mais alto após confinamento. Mostre que está preparado para fazer esta ponte.

Coliving: a inovação no jeito de viver – por Chris Lara

Você já ouviu falar em coliving?  Um novo conceito de moradia compartilhada que representa uma mudança significativa na maneira de pensar o morar e o viver nas grandes cidades.

No passado recente, a norma social era trabalhar duro e comprar a casa ou apartamento dos sonhos. Mas a sociedade está passando por muitas mudanças e, embora o conceito de compartilhamento não seja uma ideia nova, ele vem ganhando força e ajudando a derrubar comportamentos padrões, como o sonho do carro e da casa própria.

O coliving pode ser considerado uma evolução dos projetos de unidades habitacionais que compartilham determinadas áreas comuns, como lavanderias, espaços de lazer e serviços. Os apartamentos ficam ainda mais compactos, com projetos que podem ir de 30 até 2m² – este último chamado também de cápsula. Enquanto as áreas compartilhadas são projetadas para suprir o que foi tirado do ambiente individual. Mas a ideia de compartilhamento vai muito além do físico.

O movimento tem como valores conceitos como: pertencimento a uma comunidade, conveniência e economia. A conexão dos moradores em torno de um interesse comum, de querer aprender e crescer com as pessoas com as quais se cercam, também é levado em conta. E este conceito não é só para a turma jovem, que parece já programada para a era do compartilhamento, vale também para idosos, que passam a buscar uma forma mais inclusiva de viver a nova idade.

Outro aspecto é a valorização do impacto ambiental positivo a partir do compartilhamento de recursos e redução de custos. Afinal, um dos grandes problemas que este modelo de moradia vem resolver é a dificuldade das pessoas de se manterem morando em regiões centrais, em função do alto custo do m² e das dificuldades de mobilidade nos grandes centros.

Seja para estarem mais perto do trabalho ou por acreditar que o mundo colaborativo é mais justo e sustentável, todas as mudanças na forma de viver impactam em uma vasta cadeia de fornecedores de produtos e serviços. Afinal, quando a interação do indivíduo com o ambiente muda, surgem novas oportunidades e desafios.

O coliving é sem dúvida uma oportunidade para fortalecer o papel do paisagismo na idealização de ambientes pensados para os novos tempos. Uma forma de viver mais coletiva, mais leve, que quer ter menos coisas. Com espaços de estar especialmente projetados para inspirar a interação e o compartilhamento de experiências. É impossível pensar em ambientes com esse fim sem lembrar jardins, hortas, pátios e muito verde. Bem vindo à nova era do paisagismo. Uma era que pede novas paisagens.

Se você gosta de acompanhar as mudanças de mercado que impactam o paisagismo, vai gostar de ler também o artigo “Uma profissão para os nossos tempos”.

Uma carreira para os nossos tempos – por Chris Lara

Recentemente li uma matéria no site do The New York Times com a chamada: You can pay people to style your houseplants (numa tradução livre: você pode pagar alguém para estilizar suas plantas). Mas o que mais me chamou a atenção foi o subtítulo escrito em letras discretas: Uma carreira para os nossos tempos.

O texto apresenta plant stylist, ou interior plant designer, como uma profissão emergente. Mas não seria a mesma coisa que Paisagista? Para mim a resposta é: depende. Depende de como o paisagista quer se posicionar, qual mercado deseja atender e como trabalha seu cardápio de serviços.

A matéria mostra o surgimento de um novo nicho de mercado, direcionado a atender pessoas que gostariam de ter sua própria urban jungle, mas não tem tempo e/ou não sabem cuidar. Um público que pode estar sendo negligenciado por profissionais da área por dificuldade de adaptar o modelo atual de prestação de serviço com uma proposta de negócio atraente e rentável. O ponto de atenção é que, enquanto isso, outras pessoas – profissionais da área ou não – estão olhando exclusivamente para este mercado como uma oportunidade.

Foto: Vincent Tullo para The New York Times (imagem extraída do site)

Um dos exemplos apresentados é da Liza Munoz, que aparece na foto de capa do artigo. Ela oferece pacotes a partir de U$2.000 que incluem a escolha das plantas de forma personalizada para o ambiente, preparação dos vasos, entrega e um guia de cuidados. Além desta consultoria, ela também oferece duas modalidades de manutenção, quinzenal ou mensal. A descrição vem apresentada de forma clara em seu site. O que garante uma conexão rápida com o público alvo. Um bom exemplo de posicionamento de marca.

Talvez este nicho de consultorias e pequenos projetos com vasos não seja o seu foco. Mesmo assim, é importante reconhecer o movimento e entender como ele afeta o setor. Todos os segmentos da economia passam por disrupturas que vem sendo lideradas, em sua grande maioria, por jovens empresas que se dedicam a resolver um problema de forma mais eficiente, econômica e focada no usuário. O Uber tirou clientes do transporte público e até mesmo das concessionárias e dos bancos. O Airbnb concorre com hotéis e operadoras de viagem dando acesso a milhares de pessoas a viagens antes inviáveis. Cada dia vemos mais exemplos como esses. Empresas tradicionais estão perdendo espaço para modelos de negócio mais leves e orgânicos.

O mesmo acontece com as profissões. Por isso, olhe longe, além do óbvio. Pense em novas formas de transformar o seu propósito em negócio. O paisagismo da nova era vem aí, e para atingir um maior número de pessoas precisamos abrir novas frentes.

Leia aqui a matéria que inspirou este artigo.

Quando o paisagismo encontra a arte e o design – por Chris Lara

Compreender o paisagismo como uma atividade integrada a outras artes abre portas para novas formas de manifestação da criatividade. O resultado são projetos com paisagens únicas e cheias de expressividade.

A diversidade botânica é, por si só, um grande elemento de criação — existem hoje mais de 46 mil espécies identificadas no globo, sendo 43% delas exclusivas do território nacional. Apesar de a grande maioria ainda não ser produzida para uso em projetos paisagísticos, a variedade disponível comercialmente vem crescendo, assim como o interesse das pessoas por se conectar com esse universo natural tão surpreendente.

Mas a expressão do paisagismo vai muito além. A integração e a incorporação de novos elementos na composição da paisagem — como esculturas, pinturas e peças de design — potencializam novas formas de interação entre o ser humano e o jardim.

Essa composição pode acontecer de maneira mais natural com o uso de elementos utilitários, como mobiliários e vasos.

Um dos clássicos bancos do artista Hugo França, reconhecido por transformar madeira descartada pela movelaria tradicional em esculturas mobiliárias. Uma marca do artista é manter ao máximo as formas orgânicas e a textura da madeira. É como se ela guardasse a memória da árvore. Foto tirada em Inhotim, onde estão 98 peças do designer. (Foto: @alemdoconcreto)
Peças do designer americano Caleb Woodart, reconhecido como um artista contemporâneo no trabalho de esculpir madeira e criar formas inusitadas. (Foto: Caleb Woodboard)

É fácil imaginar peças como essas, criadas a partir da interpretação das diferentes formas de trabalhar a madeira bruta, integradas a projetos paisagísticos, seja em ambientes domésticos, seja em espaços públicos ou até mesmo comerciais. Na contramão do orgânico, a introdução de elementos mais inesperados, como o vidro, fortalece a expressão artística do projeto. Uma alternativa para a criação de novos pontos focais e perspectivas visuais e sensoriais.

Instalações das esculturas em vidro do Chihuly Studio em grandes jardins botânicos: Royal Kew Gardens, Londres, 2019 | Franklin Park Conservatory and Botanical Gardens, Columbus, Ohio, 2019. (Fotos: @chihulystudio).

A paisagem passa a ser um espaço de contemplação da arte. Um lugar para ficar e refletir.

Obras em mármore do escultor Pita Camargo: Ambiente da CASACOR SC 2019 – Jardim das Lendas com projeto do Grupo Lenotre | Escultrura na Praça Pio XII em Florianópolis. (Foto Divulgação)

O jardim se torna mais atrativo e dinâmico. Cores, texturas, aromas e som se misturam para construir locais que nos convidam a vivenciar uma experiência de relaxamento.

Mural “O Jardim”, por Thiago Mazza. Um mural de 40x13m (520m²) como plano de fundo para um boulevard que recebeu o projeto idealizado por alunos do curso de paisagismo do SESC MG. Realização: Boulevard Shopping – Belo Horizonte. (Fotos autorais)

O caminho inverso também é valorizado. Cada vez mais o paisagismo é convidado a compor obras de arte, tornando-as mais vivas e realistas.

Instalação “The Crisis” do artista americano Rashid Johnson. Ele incorporou plantas de lugares diferentes como metáfora para o coletivo que existe dentro de cada ser humano. (Foto Galary Magazine)

Essa agregação é histórica, basta lembrar dos jardins reais com esculturas e topiarias, os delicados gazebos em ferro, as artes em pedra, granito e mármore.

Paisagismo é a arte em si. Mas quando ele incorpora outras obras, pensadas por outros artistas, o resultado pode surpreender.

A autoridade e o marketing – por Chris Lara

Quando você pensa em uma autoridade no paisagismo, que nome vem na sua mente? Talvez seja o mestre Burle Marx ou outro paisagista que admira muito. Provavelmente você pensará em pessoas reconhecidas, que parecem muito distante de nós, simples mortais. Sem negar a contribuição desses artistas, é possível aproximar o conceito de autoridade da perspectiva dos negócios na era da internet.

O mundo online deixou o conhecimento muito mais acessível e potencializou a comunicação, dando visibilidade a pessoas que usam as ferramentas disponíveis de forma estratégica para se posicionar como especialista em um determinado assunto.

O aumento das ferramentas de buscas, como Youtube e blogs, impactou diretamente no processo de tomada de decisão das pessoas antes da compra. Com fácil acesso a informações sobre o que precisam, os consumidores, sejam eles pessoas físicas ou empresas, ganharam autonomia para tomar decisões e definir o seu momento ideal de compra. Antes mesmo de fazer contato com possíveis fornecedores.

Isso significa que as pessoas estão consumindo mais informação sobre os temas de interesse. E o que não falta é conteúdo disponível, seja em comunidades, reviews de produtos e serviços, fóruns e etc. É aí que a estratégia de construir uma autoridade sobre um determinado assunto pode entrar a favor do seu negócio. Quando se posiciona como especialista você fortalece sua “marca”.

Quanto mais focado você for em um determinado assunto ou nicho, mais chance de conseguir aprofundar no conteúdo, podendo criar uma relação mais duradoura com o seu público. Ajudar as pessoas respondendo suas dúvidas, compartilhar conhecimentos consolidados (uma soma de tudo que aprende e testa), mostrar que se mantém atualizado e compartilhar suas fontes de conhecimento são formas de exercitar esse papel de autoridade.

Existe uma oportunidade aí para os paisagistas. É fácil encontrar no mundo online pessoas que falam para os amantes de plantas, mas poucos falam de forma aprofundada sobre o dia a dia de um paisagista profissional. Sobre como o profissional dessa área pode contribuir. Esse tipo de posicionamento, inclusive, pode ajudar a quebrar objeções fortes, como por exemplo, a famosa barreira em relação ao custo do projeto de paisagismo. A construção da autoridade pode ser uma forma de justificar ao público o seu valor.

O resultado pode vir em forma de clientes, vendas, parcerias estratégicas e visibilidade. Mas voltando ao início do texto e aos nomes dos profissionais que você reconhece como autoridade no paisagismo, a autoridade não se impõe e nem acontece do dia para a noite. Autoridade é aquilo que você constrói nos bastidores, com estudo, execução, e principalmente, resultado. Você conquista em consequência a dedicação e empenho. Paralelamente a essa construção, você mostra para o seu mercado o seu papel de especialista e como pode ajudá-lo.

#ficaadica – por Chris Lara

Vamos falar de uma ferramenta de busca que vem competindo com o Google quando o assunto é pesquisa de imagens, produtos e fornecedores de serviço: as hashtags (#) no Instagram.

Elas funcionam como um canal de pesquisa, permitindo que pessoas encontrem perfis e conteúdos associados ao tema pesquisado, seja ele mais genérico, como a nossa queridinha #paisagismo, ou mais específico, como por exemplo, #jardimverticalnatural, que mostra um tipo de serviço específico.

O algoritmo do Instagram seleciona publicações relacionadas à pesquisa e mostra posts que, além de conter a #, tenham gerado engajamento com outros usuários, separando-os por “mais relevantes” e “recentes”. Ou seja, não bastar sair colocando #, é preciso que o conteúdo seja de qualidade. Por isso, o indicado é usar uma hashtag quando ela for relevante e quando ela realmente descrever o post de algum modo.

Por exemplo, você posta uma foto de um arranjo com suculentas em uma mesa de jantar e inclui as #urbanjungle, #jardim e #suculentas. Pode ser que quem chegue à sua postagem pesquisando as duas primeiras hashtags se decepcione por não encontrar exatamente o que estava procurando. Já quem pesquisou por #suculentas pode gostar do que encontra, curtir a postagem e mostrar para o algoritmo do Instagram que o seu conteúdo era o que ele procurava.

Um possível caminho para escolher as # que vai usar é dividi-las por:

  • Nicho: por exemplo, no nosso caso poderia ser #paisagismo.
  • Conteúdo: aqui você pode explorar hashtags que resumem o conteúdo da publicação (nome da planta, tipo de projeto, jardimdesombra…).
  • Local: como forma de limitar geograficamente sua área de atuação ou mostrar um local específico da imagem.

Não vou entrar no mérito de quantidade de hashtags ou se é melhor coloca-las no comentário ou no feed, simplesmente porque acho que o caminho não é esse. Foque em merecer a audiência do seu público sendo coerente. A partir daí, o alcance é consequência.

#fica a dica: não coloque suas hashtags no piloto automático e lembre-se do mantra “Faça com o outro o marketing que gostaria que fizessem com você”.

As várias faces do marketing digital – por Chris Lara

Se alguém te pedir uma “ajudinha” para escolher as melhores espécies para criar um jardim exuberante, funcional e com baixo custo, você provavelmente terá que explicar que projetar um jardim não é tão simples assim. Terá que falar das N variáveis que podem interferir no resultado final.

Com o marketing também é assim. Por mais que existam fórmulas sendo apresentadas por especialistas nos muitos tutoriais disponíveis na internet, é preciso entender que, assim como no caso do jardim, não é algo tão simples. Apesar de mais acessível, o marketing digital, envolve conceitos e ferramentas que, às vezes, podem ser técnicos demais.

Por isso, para profissionais que não são da área mas precisam usar o marketing para alavancar o negócio, sugiro que, antes de estudar estratégias como Google ads, engajamento orgânico no Instagram ou marketing de atração (também conhecido como inbound marketing), invista tempo e energia para entender como se comunicar com seu público no canal escolhido.

Como? Testando! Esse é um dos grandes benefícios do marketing digital: ele é mensurável. Tanto é que a maioria das ferramentas de marketing já tem a análise de dados dentro de sua configuração básica. Assim, você pode avaliar o impacto das ações para montar a melhor estratégia. Em outras palavras: publique e avalie o resultado. Deu certo? Repita. Não deu? Faça diferente.

Vamos usar o exemplo do Instagram, provavelmente a ferramenta mais usada atualmente por profissionais autônomos.

O Instagram oferece para contas empresariais a ferramenta Instagram Insights, com análises sobre atividades, conteúdos compartilhados e público da página. O objetivo aqui não é explicar cada função disponível (a própria ferramenta traz a descrição dessas funções), mas, sim, estimular o uso desses dados para entender de que o seu público gosta e o que pode trazer mais resultado.

Fique atento ao seguinte:

O perfil dos seus seguidores: Informações sobre gênero, faixa etária e localização podem ajudá-lo a conhecer seu público, ainda que superficialmente, e ajustar a sua comunicação para atingí-lo.

O alcance das suas postagens: Ao comparar quais publicações apresentaram maior alcance, você pode focar em temas ou ideias com maior probabilidade de atingir mais pessoas. Considere variáveis de dias da semana e horário, pois elas representam a disponibilidade do seu público para interagir com seu conteúdo. Se os seus potenciais clientes têm baixa interação em horário comercial, por exemplo, por que concentrar suas publicações nessa hora do dia?

O comportamento da sua audiência: Você publica uma foto que tirou de uma planta que gosta muito e escreve na legenda: “Quem mais acha essa planta linda?”. Aí vem o resultado: uma única resposta com aquelas mãozinhas batendo palma. Não ignore esse sinal e continue criando postagens com a mesma intenção. Se você quer usar a ferramenta para chamar a atenção do seu público, precisa criar novas formas de fazer com que o seu conteúdo seja bom o suficiente para essas pessoas a ponto de fazê-las interagir.

Está vendo como não há respostas prontas? É preciso testar para ver se o público vai gostar de ver seu dia-a-dia de trabalho como paisagista, se ele se interessa por plantas exóticas, se ele gosta apenas de ver projetos acabados, ou se quer saber mais sobre cuidados com o jardim.

Faça testes de engajamento por tipo de conteúdo, por horário e dia de postagem, por uso de # e tudo mais que for mensurável. Repita o que deu certo, abandone o que não deu. Faça uma nova análise e siga testando. Só assim você vai entender a melhor forma de se comunicar. Qualquer semelhança entre essa rotina de marketing e a complexidade de um jardim não são mera coincidência.

Vamos falar de marketing humanizado? por Chris Lara

No mês de novembro, tive a oportunidade de participar do maior evento de marketing digital da América Latina, o RD Summit. Entre tantos temas técnicos envolvendo estratégias online, uma frase me chamou a atenção: “Faça ao próximo o marketing digital que gostaria que fizessem para você”, dita pela especialista Liliane Ferrari.

Ela estava falando do Marketing Humanizado, também conhecido como human-to-human. Um despertar para muitas marcas que se perderam e, principalmente, perderam a conexão com o seu público usando mensagens genéricas e desconsiderando o fator humano de quem está do outro lado.

Esse novo olhar reforça a necessidade de construir uma relação de confiança entre empresa e cliente.  Relação essa baseada em três pilares:

Emoção: As emoções fazem parte dos seres humanos. Quando somos tocados por uma história significativa, criamos uma conexão com a mensagem passada e tendemos a guardar essa experiência na memória.  O foco deixa de ser o produto acabado – por exemplo, o jardim pronto – e  se volta para a narrativa, a história por trás daquele projeto:  quem o idealizou, quem são as pessoas que irão usá-lo, como irão usá-lo… Histórias reais.

Empatia: Cada experiência pode e deve ser customizada. Afinal, cada pessoa é de um jeito. Esse pode parecer um conselho genérico demais, mas aqui cabe o exercício de observar diferentes etapas do seu processo, do pré ao pós venda: o tempo para entregar um orçamento, o cumprimento do prazo de execução, o compartilhamento de informações sobre o projeto, o entendimento de que talvez o cliente não entenda de plantas e como cuida-las, e por aí vai. Será que existe algum aspecto que pode ser melhorado para valorizar mais ainda o cliente e mostrar que você se importa com o tempo dele?

Ética: Na maioria das vezes, seu cliente não dará atenção aos cursos de paisagismo e técnicas avançadas que você possa ter feito. O que realmente importa para ele é sua capacidade de ajudá-lo a resolver o problema específico que ele traz – sem criar outros! Ele precisa confiar que você trabalha com profissionais e empresas sérias, com produtos de qualidade e que irá fazer bom uso dos recursos.

Levando todos esses fatores em consideração, é hora de perder o medo (ou a preguiça) e colocar sua estratégia de marketing humanizado em ação. Lembre-se: quem não é visto não é lembrado.  Se você tiver sempre em mente a frase “faça ao próximo o marketing digital que gostaria que fizessem para você”, não tem erro. Você será capaz de criar um diálogo com seu público honrando valores que são importantes para todos vocês.