Quando o paisagismo encontra a arte e o design – por Chris Lara

Compreender o paisagismo como uma atividade integrada a outras artes abre portas para novas formas de manifestação da criatividade. O resultado são projetos com paisagens únicas e cheias de expressividade.

A diversidade botânica é, por si só, um grande elemento de criação — existem hoje mais de 46 mil espécies identificadas no globo, sendo 43% delas exclusivas do território nacional. Apesar de a grande maioria ainda não ser produzida para uso em projetos paisagísticos, a variedade disponível comercialmente vem crescendo, assim como o interesse das pessoas por se conectar com esse universo natural tão surpreendente.

Mas a expressão do paisagismo vai muito além. A integração e a incorporação de novos elementos na composição da paisagem — como esculturas, pinturas e peças de design — potencializam novas formas de interação entre o ser humano e o jardim.

Essa composição pode acontecer de maneira mais natural com o uso de elementos utilitários, como mobiliários e vasos.

Um dos clássicos bancos do artista Hugo França, reconhecido por transformar madeira descartada pela movelaria tradicional em esculturas mobiliárias. Uma marca do artista é manter ao máximo as formas orgânicas e a textura da madeira. É como se ela guardasse a memória da árvore. Foto tirada em Inhotim, onde estão 98 peças do designer. (Foto: @alemdoconcreto)
Peças do designer americano Caleb Woodart, reconhecido como um artista contemporâneo no trabalho de esculpir madeira e criar formas inusitadas. (Foto: Caleb Woodboard)

É fácil imaginar peças como essas, criadas a partir da interpretação das diferentes formas de trabalhar a madeira bruta, integradas a projetos paisagísticos, seja em ambientes domésticos, seja em espaços públicos ou até mesmo comerciais. Na contramão do orgânico, a introdução de elementos mais inesperados, como o vidro, fortalece a expressão artística do projeto. Uma alternativa para a criação de novos pontos focais e perspectivas visuais e sensoriais.

Instalações das esculturas em vidro do Chihuly Studio em grandes jardins botânicos: Royal Kew Gardens, Londres, 2019 | Franklin Park Conservatory and Botanical Gardens, Columbus, Ohio, 2019. (Fotos: @chihulystudio).

A paisagem passa a ser um espaço de contemplação da arte. Um lugar para ficar e refletir.

Obras em mármore do escultor Pita Camargo: Ambiente da CASACOR SC 2019 – Jardim das Lendas com projeto do Grupo Lenotre | Escultrura na Praça Pio XII em Florianópolis. (Foto Divulgação)

O jardim se torna mais atrativo e dinâmico. Cores, texturas, aromas e som se misturam para construir locais que nos convidam a vivenciar uma experiência de relaxamento.

Mural “O Jardim”, por Thiago Mazza. Um mural de 40x13m (520m²) como plano de fundo para um boulevard que recebeu o projeto idealizado por alunos do curso de paisagismo do SESC MG. Realização: Boulevard Shopping – Belo Horizonte. (Fotos autorais)

O caminho inverso também é valorizado. Cada vez mais o paisagismo é convidado a compor obras de arte, tornando-as mais vivas e realistas.

Instalação “The Crisis” do artista americano Rashid Johnson. Ele incorporou plantas de lugares diferentes como metáfora para o coletivo que existe dentro de cada ser humano. (Foto Galary Magazine)

Essa agregação é histórica, basta lembrar dos jardins reais com esculturas e topiarias, os delicados gazebos em ferro, as artes em pedra, granito e mármore.

Paisagismo é a arte em si. Mas quando ele incorpora outras obras, pensadas por outros artistas, o resultado pode surpreender.

A autoridade e o marketing – por Chris Lara

Quando você pensa em uma autoridade no paisagismo, que nome vem na sua mente? Talvez seja o mestre Burle Marx ou outro paisagista que admira muito. Provavelmente você pensará em pessoas reconhecidas, que parecem muito distante de nós, simples mortais. Sem negar a contribuição desses artistas, é possível aproximar o conceito de autoridade da perspectiva dos negócios na era da internet.

O mundo online deixou o conhecimento muito mais acessível e potencializou a comunicação, dando visibilidade a pessoas que usam as ferramentas disponíveis de forma estratégica para se posicionar como especialista em um determinado assunto.

O aumento das ferramentas de buscas, como Youtube e blogs, impactou diretamente no processo de tomada de decisão das pessoas antes da compra. Com fácil acesso a informações sobre o que precisam, os consumidores, sejam eles pessoas físicas ou empresas, ganharam autonomia para tomar decisões e definir o seu momento ideal de compra. Antes mesmo de fazer contato com possíveis fornecedores.

Isso significa que as pessoas estão consumindo mais informação sobre os temas de interesse. E o que não falta é conteúdo disponível, seja em comunidades, reviews de produtos e serviços, fóruns e etc. É aí que a estratégia de construir uma autoridade sobre um determinado assunto pode entrar a favor do seu negócio. Quando se posiciona como especialista você fortalece sua “marca”.

Quanto mais focado você for em um determinado assunto ou nicho, mais chance de conseguir aprofundar no conteúdo, podendo criar uma relação mais duradoura com o seu público. Ajudar as pessoas respondendo suas dúvidas, compartilhar conhecimentos consolidados (uma soma de tudo que aprende e testa), mostrar que se mantém atualizado e compartilhar suas fontes de conhecimento são formas de exercitar esse papel de autoridade.

Existe uma oportunidade aí para os paisagistas. É fácil encontrar no mundo online pessoas que falam para os amantes de plantas, mas poucos falam de forma aprofundada sobre o dia a dia de um paisagista profissional. Sobre como o profissional dessa área pode contribuir. Esse tipo de posicionamento, inclusive, pode ajudar a quebrar objeções fortes, como por exemplo, a famosa barreira em relação ao custo do projeto de paisagismo. A construção da autoridade pode ser uma forma de justificar ao público o seu valor.

O resultado pode vir em forma de clientes, vendas, parcerias estratégicas e visibilidade. Mas voltando ao início do texto e aos nomes dos profissionais que você reconhece como autoridade no paisagismo, a autoridade não se impõe e nem acontece do dia para a noite. Autoridade é aquilo que você constrói nos bastidores, com estudo, execução, e principalmente, resultado. Você conquista em consequência a dedicação e empenho. Paralelamente a essa construção, você mostra para o seu mercado o seu papel de especialista e como pode ajudá-lo.

#ficaadica – por Chris Lara

Vamos falar de uma ferramenta de busca que vem competindo com o Google quando o assunto é pesquisa de imagens, produtos e fornecedores de serviço: as hashtags (#) no Instagram.

Elas funcionam como um canal de pesquisa, permitindo que pessoas encontrem perfis e conteúdos associados ao tema pesquisado, seja ele mais genérico, como a nossa queridinha #paisagismo, ou mais específico, como por exemplo, #jardimverticalnatural, que mostra um tipo de serviço específico.

O algoritmo do Instagram seleciona publicações relacionadas à pesquisa e mostra posts que, além de conter a #, tenham gerado engajamento com outros usuários, separando-os por “mais relevantes” e “recentes”. Ou seja, não bastar sair colocando #, é preciso que o conteúdo seja de qualidade. Por isso, o indicado é usar uma hashtag quando ela for relevante e quando ela realmente descrever o post de algum modo.

Por exemplo, você posta uma foto de um arranjo com suculentas em uma mesa de jantar e inclui as #urbanjungle, #jardim e #suculentas. Pode ser que quem chegue à sua postagem pesquisando as duas primeiras hashtags se decepcione por não encontrar exatamente o que estava procurando. Já quem pesquisou por #suculentas pode gostar do que encontra, curtir a postagem e mostrar para o algoritmo do Instagram que o seu conteúdo era o que ele procurava.

Um possível caminho para escolher as # que vai usar é dividi-las por:

  • Nicho: por exemplo, no nosso caso poderia ser #paisagismo.
  • Conteúdo: aqui você pode explorar hashtags que resumem o conteúdo da publicação (nome da planta, tipo de projeto, jardimdesombra…).
  • Local: como forma de limitar geograficamente sua área de atuação ou mostrar um local específico da imagem.

Não vou entrar no mérito de quantidade de hashtags ou se é melhor coloca-las no comentário ou no feed, simplesmente porque acho que o caminho não é esse. Foque em merecer a audiência do seu público sendo coerente. A partir daí, o alcance é consequência.

#fica a dica: não coloque suas hashtags no piloto automático e lembre-se do mantra “Faça com o outro o marketing que gostaria que fizessem com você”.

As várias faces do marketing digital – por Chris Lara

Se alguém te pedir uma “ajudinha” para escolher as melhores espécies para criar um jardim exuberante, funcional e com baixo custo, você provavelmente terá que explicar que projetar um jardim não é tão simples assim. Terá que falar das N variáveis que podem interferir no resultado final.

Com o marketing também é assim. Por mais que existam fórmulas sendo apresentadas por especialistas nos muitos tutoriais disponíveis na internet, é preciso entender que, assim como no caso do jardim, não é algo tão simples. Apesar de mais acessível, o marketing digital, envolve conceitos e ferramentas que, às vezes, podem ser técnicos demais.

Por isso, para profissionais que não são da área mas precisam usar o marketing para alavancar o negócio, sugiro que, antes de estudar estratégias como Google ads, engajamento orgânico no Instagram ou marketing de atração (também conhecido como inbound marketing), invista tempo e energia para entender como se comunicar com seu público no canal escolhido.

Como? Testando! Esse é um dos grandes benefícios do marketing digital: ele é mensurável. Tanto é que a maioria das ferramentas de marketing já tem a análise de dados dentro de sua configuração básica. Assim, você pode avaliar o impacto das ações para montar a melhor estratégia. Em outras palavras: publique e avalie o resultado. Deu certo? Repita. Não deu? Faça diferente.

Vamos usar o exemplo do Instagram, provavelmente a ferramenta mais usada atualmente por profissionais autônomos.

O Instagram oferece para contas empresariais a ferramenta Instagram Insights, com análises sobre atividades, conteúdos compartilhados e público da página. O objetivo aqui não é explicar cada função disponível (a própria ferramenta traz a descrição dessas funções), mas, sim, estimular o uso desses dados para entender de que o seu público gosta e o que pode trazer mais resultado.

Fique atento ao seguinte:

O perfil dos seus seguidores: Informações sobre gênero, faixa etária e localização podem ajudá-lo a conhecer seu público, ainda que superficialmente, e ajustar a sua comunicação para atingí-lo.

O alcance das suas postagens: Ao comparar quais publicações apresentaram maior alcance, você pode focar em temas ou ideias com maior probabilidade de atingir mais pessoas. Considere variáveis de dias da semana e horário, pois elas representam a disponibilidade do seu público para interagir com seu conteúdo. Se os seus potenciais clientes têm baixa interação em horário comercial, por exemplo, por que concentrar suas publicações nessa hora do dia?

O comportamento da sua audiência: Você publica uma foto que tirou de uma planta que gosta muito e escreve na legenda: “Quem mais acha essa planta linda?”. Aí vem o resultado: uma única resposta com aquelas mãozinhas batendo palma. Não ignore esse sinal e continue criando postagens com a mesma intenção. Se você quer usar a ferramenta para chamar a atenção do seu público, precisa criar novas formas de fazer com que o seu conteúdo seja bom o suficiente para essas pessoas a ponto de fazê-las interagir.

Está vendo como não há respostas prontas? É preciso testar para ver se o público vai gostar de ver seu dia-a-dia de trabalho como paisagista, se ele se interessa por plantas exóticas, se ele gosta apenas de ver projetos acabados, ou se quer saber mais sobre cuidados com o jardim.

Faça testes de engajamento por tipo de conteúdo, por horário e dia de postagem, por uso de # e tudo mais que for mensurável. Repita o que deu certo, abandone o que não deu. Faça uma nova análise e siga testando. Só assim você vai entender a melhor forma de se comunicar. Qualquer semelhança entre essa rotina de marketing e a complexidade de um jardim não são mera coincidência.

Vamos falar de marketing humanizado? por Chris Lara

No mês de novembro, tive a oportunidade de participar do maior evento de marketing digital da América Latina, o RD Summit. Entre tantos temas técnicos envolvendo estratégias online, uma frase me chamou a atenção: “Faça ao próximo o marketing digital que gostaria que fizessem para você”, dita pela especialista Liliane Ferrari.

Ela estava falando do Marketing Humanizado, também conhecido como human-to-human. Um despertar para muitas marcas que se perderam e, principalmente, perderam a conexão com o seu público usando mensagens genéricas e desconsiderando o fator humano de quem está do outro lado.

Esse novo olhar reforça a necessidade de construir uma relação de confiança entre empresa e cliente.  Relação essa baseada em três pilares:

Emoção: As emoções fazem parte dos seres humanos. Quando somos tocados por uma história significativa, criamos uma conexão com a mensagem passada e tendemos a guardar essa experiência na memória.  O foco deixa de ser o produto acabado – por exemplo, o jardim pronto – e  se volta para a narrativa, a história por trás daquele projeto:  quem o idealizou, quem são as pessoas que irão usá-lo, como irão usá-lo… Histórias reais.

Empatia: Cada experiência pode e deve ser customizada. Afinal, cada pessoa é de um jeito. Esse pode parecer um conselho genérico demais, mas aqui cabe o exercício de observar diferentes etapas do seu processo, do pré ao pós venda: o tempo para entregar um orçamento, o cumprimento do prazo de execução, o compartilhamento de informações sobre o projeto, o entendimento de que talvez o cliente não entenda de plantas e como cuida-las, e por aí vai. Será que existe algum aspecto que pode ser melhorado para valorizar mais ainda o cliente e mostrar que você se importa com o tempo dele?

Ética: Na maioria das vezes, seu cliente não dará atenção aos cursos de paisagismo e técnicas avançadas que você possa ter feito. O que realmente importa para ele é sua capacidade de ajudá-lo a resolver o problema específico que ele traz – sem criar outros! Ele precisa confiar que você trabalha com profissionais e empresas sérias, com produtos de qualidade e que irá fazer bom uso dos recursos.

Levando todos esses fatores em consideração, é hora de perder o medo (ou a preguiça) e colocar sua estratégia de marketing humanizado em ação. Lembre-se: quem não é visto não é lembrado.  Se você tiver sempre em mente a frase “faça ao próximo o marketing digital que gostaria que fizessem para você”, não tem erro. Você será capaz de criar um diálogo com seu público honrando valores que são importantes para todos vocês.

Conexões verdadeiras – na internet ou fora dela – por Chris Lara

A capacidade de reconhecer o outro e estabelecer com ele uma relação de verdade e confiança é um dos elementos que nos faz humanos. Mas nesse mundo digital em que vivemos – com nossas vidas profissional, social e até íntima expostas na internet – essa questão tão elementar parece muitas vezes esquecida.

É comum, nas redes sociais, deparar com interações que soam falsas ou superficiais, como é o caso da corrida por seguidores e curtidas. Um movimento que muitos fazem de forma mecânica, visando driblar o algoritmo da plataforma que promove os perfis exclusivamente para ganhar visibilidade.  

Mas tem muita gente ficando cansada desse tipo de coisa e já opta por concentrar suas relações no mundo real. É o caso dos Nativos Sociais, pessoas que escolhem ficar fora das redes sociais com o propósito de explorar o “olho a olho” e se libertar das notificações urgentes. Um caminho que ganha cada vez mais adeptos.

Digital, porém verdadeira

Mas se você ainda aposta no ambiente virtual como vitrine para o seu trabalho e espaço para construção de redes de relacionamento, saiba que dá, sim, para criar conexões verdadeiras na internet.

Vamos pegar como exemplo esse canal, o Papo de Paisagista, uma iniciativa que conecta pessoas de diversos locais do país, em diferentes plataformas, tanto virtuais (whatsapp, blog, Instagram), como físicas (eventos, visitas técnicas, etc). Esse encontro só acontece pela conexão de propósito e afinidade dos participantes, que neste caso é o conhecimento em torno do tema paisagismo. A partir daí nascem parcerias e até mesmo novas amizades.

Tenho vivenciado isso no dia a dia do perfil @jardimavista no Instragram. Aos poucos fui construindo diálogos com pessoas que dividem o mesmo interesse, algumas conversas viraram encontros profissionais sérios e até amizades.

Existe potencial para conexões reais no universo digital, baseadas em admiração e respeito. Mas é importante frisar que essa relação não deve ser silenciosa. Ela se manifesta através de comentários, feedbacks, e sim, curtidas reais. Se você ainda não exercita essa conversa virtual, experimente incrementar a sua atuação se relacionando com perfis com os quais se identifica. Abra o caminho para uma relação de mão dupla, o resultado é natural e pode te surpreender.

A relação e a conexão verdadeira é sempre o melhor caminho. Pensando assim você tem muito mais chance de se conectar com pessoas que dividem a mesma opinião.  Entre abandonar o jogo ou se entregar totalmente, aposte no caminho do meio.

Sazonalidade no paisagismo – um olhar além da estação – por Chris Lara

Calendário vetor criado por pikisuperstar – br.freepik.com

Trabalhar com paisagismo é aproximar as pessoas do tempo da natureza, um tempo que carrega a sensação de vagarosidade e calmaria. Sem perder de vista esse valor essencial da relação homem x natureza, é possível potencializar oportunidades de negócio olhando um pouco mais para o funcionamento do tempo dos homens. Mais especificamente, para fatores sazonais que movimentam o mercado.

Podemos relacionar a sazonalidade de mercado a diferentes aspectos: clima, estações, calendário escolar, datas comemorativas e até mesmo crises diversas (econômicas, hídricas, políticas). Em todos esses casos, ela indica possíveis variações de demanda por produtos e serviços dentro de um determinado período de tempo.

Variação essa, que pode impactar diretamente o faturamento de um negócio, seja de forma positiva, gerando novas oportunidades, ou no pior caso, negativamente.

Será que os profissionais de paisagismo podem tirar proveito dos aspectos sazonais que vão além da relação das plantas com as estações. Muito provavelmente, sim. Algumas vendas ou contratação de serviço podem surgir em datas como o fim de ano, que se aproxima.

O apelo aqui não é exclusivamente comercial, pelo contrário, ele pode estar muito mais ligado ao bem estar gerado nos encontros e confraternizações. Quem não gostaria de ter a casa linda e bem florida para receber os amigos? Que tal substituir as árvores de plástico por arranjos criados de forma cuidadosa com plantas ornamentais?

Sazonalidade exige planejamento

Seja no fim do ano, na primavera ou em qualquer outra brecha extra que o calendário oferece, para aproveitar melhor todas as oportunidades de venda criadas pela sazonalidade você deve se preparar com antecedência.

Para isso é importante planejamento de ações de marketing. A sugestão é que você crie um calendário com campanhas temáticas e constantes. A partir dele você deve planejar quais as ferramentas de comunicação irá usar para interagir com o seu público, preparar estratégias de preço (caso caiba alguma diferença em relação ao tradicional) e, em alguns casos, se atentar também para questões relacionadas a estoque e capacidade de atendimento.

Vale ressaltar que nem todos os produtos ou tipos de serviços precisam entrar neste planejamento. Essa pode ser a oportunidade de trabalhar com coisas pontuais, como por exemplo, uma consultoria de paisagismo ou a venda de peças para presente e decoração. Dessa forma você consegue gerar oportunidades preservando o resto do seu negócio.

A veia verde e empreendedora – por Chris Lara

Que todo paisagista tem um sangue verde, isso a gente já sabe. Mas será que todos têm também em suas veias o sangue empreendedor?

Os empreendedores são comumente identificados como pessoas que carregam alguns traços de personalidade, hábitos e pensamentos característicos. Nessa lista costumam aparecer aspectos como:

Coragem: Que no mundo dos negócios também pode ser interpretado como gostar de correr riscos calculados. Ou seja, é preciso estar disposto a assumir riscos moderados e responder por eles, baseando-se sempre em planejamento.

Inquietação: A mente criativa, que busca novas soluções, não é uma mente acomodada. Este perfil gosta de aprender e criar coisas diferentes. A inquietação vale também para a forma como percebe o mercado, sempre em movimento, e se prepara para oferecer novos produtos e serviços.

Persistência: Nem sempre a primeira ideia vai dar certo. Muitos dos empresários de sucesso hoje já fecharam empresas um dia. Por isso, faz parte do mindset empreendedor desenvolver a habilidade de enfrentar obstáculos e buscar alternativas diferentes para alcanças suas metas. Quanto mais claro for seu propósito e objetivo final, mais natural vai ser o processo de seleção de ideias.

Gostam de se conectar: A grande maioria dos empreendedores de sucesso não são bem-sucedidos sozinhos. Eles constroem estratégias para conseguir apoio para seus projetos e buscam se relacionar com pessoas chave para seus objetivos.

Porque cultivar o seu lado empreendedor

Parte do desafio de criar um negócio sólido passa pela evolução constante. Desenvolver novas habilidades e competências é uma forma de assumir o papel de liderança da sua carreira.

Esse é um convite para você cultivar o seu lado empreendedor. Se ele estiver adormecido, oxigene e adube o terreno, introduza novas sementes e deixe florescer.

Que tipo de cliente você atrai? por Chris Lara

Assistindo a uma palestra de um paisagista famoso na internet, fiquei surpresa quando ele disse: “A cliente era muito cafona e me pedia coisas que não poderia atender”. Detalhe: ele estava ali apresentando projetos que considera de sucesso em sua carreira. Aquilo me fez pensar. Se o estilo dos dois, profissional e cliente, é tão diferente, será que o resultado final do trabalho vai agradar a ambos?

Casos como esse podem indicar que tem alguma coisa errada na comunicação e no posicionamento de imagem construído pelo profissional para sua marca. Para evitar esse tipo de situação, esses conceitos precisam ser levados para diversas dimensões que envolvem a construção de identidade da sua marca e a forma como deseja se posicionar no mercado.

Essas dimensões envolvem desde questões físicas — como o logotipo, a identidade visual, o conteúdo e a forma de apresentação de uma proposta — até a história que você conta em todos os pontos de contato com o seu público, seja pessoalmente ou no meio digital.

São esses elementos que tornam a sua marca tangível e fazem as pessoas quererem se conectar com você e contratar seu serviço.

Uma boa identidade de marca deve:

1 – Mostrar ao mercado quem você é:
Apresentar sua bagagem, experiência prévias, o estilo do seu trabalho, um pouco dos seus gostos e interesses.

2 – Indicar como resolve os problemas que seus clientes apresentam:
Isso envolve uma explicação prática sobre a forma como atende seus clientes e como busca oferecer uma boa experiência durante o processo. Quando um cliente te contrata, o resultado final do projeto é o mínimo que ele espera. A experiência toda (antes, durante e depois) é muito importante e pode ser o ponto que vai te diferenciar e gerar fidelização e recomendações.

3 – Transmitir como você quer que as pessoas se sintam ao escolher o seu serviço:
Nesse caso, nada melhor que o depoimento dos próprios clientes.

Se você não quer fazer projetos para pessoas que tem o estilo muito diferente do seu, precisa deixar isso claro de alguma forma na sua mensagem. Mas se está disposto a diversificar seu portfólio, insira essa flexibilidade na sua mensagem. Talvez não pareça, mas quem você atrai como cliente é responsabilidade sua.

Menos tendência, mais essência – por Chris Lara

Um caminho para a diferenciação

Durante uma palestra sobre arte brasileira, o pesquisador e curador de um acervo rico de artistas do sertão, Pedro Olivotto, falou sobre a diferença entre arte popular e artesanato: “O artesanato não dói, ele é a repetição de algo. Para ser arte, tem que doer, é parir uma obra de cada vez”.

Essa reflexão vale para todas as profissões, pois ela fala da essência criadora que existe dentro de cada um. Ela é o caminho que o profissional precisa percorrer para se diferenciar e construir uma identidade própria — ou, como ouvimos muito no mercado artístico, “uma assinatura”. Seria uma forma de se distanciar do senso comum e se aproximar do que você quer e do que você é.

Repertório é criatividade

Apesar de o processo criativo parecer uma coisa muito natural para paisagistas, gostaria de trazer uma nova abordagem. A visão de que criatividade não é um dom. É um processo e pode ser aprendido, exercitado ou aprimorado.

Criatividade é a capacidade de encontrar soluções diferentes para as situações e problemas que se apresentam ao longo da vida. E uma forma de potencializa-la é por meio do repertório. Fazer input de novas informações, referências e ideias de forma consciente, sem necessariamente ficar preso só ao paisagismo. O olhar de aprendizado pode ser expandido para tudo o que está à sua volta.  A curiosidade e a vontade de aprender o tempo todo fazem com que o repertório fique mais diversificado e a criatividade se potencializa naturalmente.

Outro passo é o exercício da imaginação. Processar esse repertório mentalmente faz com que você crie imagens a partir do que está consumindo e experimentando, de novo, de forma consciente. Eu, por exemplo, faço isso para construir o enredo de todos os textos que trago aqui para o blog do Papo de Paisagista. Muitas vezes a ideia do artigo nasce quando leio uma frase em um contexto completamente diferente do marketing ou do paisagismo.  Seria como criar um projeto mentalmente quando você vê algo em potencial — seja um espaço, uma planta, uma peça ou qualquer outra coisa que gostaria de usar. Exercitar de forma livre, sem todas aquelas exigências e expectativas do cliente, ou limitações de orçamento.

Brincar com a arte de forma mais livre ajuda a na compreensão e consolidação do seu estilo de trabalho. Ao mesmo tempo, organizar sua forma de aprendizado e exercício criativo te mantém focado nesse processo de construção contínuo.