Trazendo o verde pra perto – por Gabi Pileggi

Quando abri o Jardineiro Fiel, há 10 anos atrás, eu tinha uma ideia fixa na minha cabeça: queria atender todo mudo que quisesse ter um verde pra chamar de seu. Não importasse o tamanho e nem a criatividade que eu tivesse que emprenhar para conseguir.

O nome surgiu justamente para não afugentar pessoas que julgam não precisar de um profissional de paisagismo. Muitas pessoas acham que a sua necessidade é algo muito simples e que, portanto, não precisam de especialista.

Mas sabemos que não é bem assim. No fundo a gente precisa de uma pessoa, tenha ela o título que for, para colocar a PLANTA CERTA NO LUGAR CERTO. E fazer com que a experiência de ter um jardim seja a mais prazerosa possível.

Então, nos colocamos – eu e minha mãe (minha sócia até hoje) – como jardineiras prontas para facilitar esse caminho. E acolhemos todos aqueles que tinham esse desejo de ter a natureza mais próxima, ou precisavam de alguém que olhasse com mais carinho para o verde que já possuíam.

Com isso, acabamos ficando conhecidas por alguns como: paisagistas de pequenos espaços, paisagistas de apartamento, jardineiras de bom gosto, especialistas em hortas caseiras, decoradoras de varanda, e várias outras coisas.

No início isso me incomodava, parecia que esses comentários estavam diminuindo o nosso trabalho. E confesso: demorei a entender o que realmente me motivava quando eu projetava um jardim.

Como o passar dos anos comecei a perceber algo importante da minha personalidade:  não gosto de projetar em um papel em branco! Meu papel precisa ter história. Eu preciso entender como as pessoas vivem, quem mora na casa, quem frequenta, o gosto delas, como vai interagir com as plantas… Gosto de ter a sensação que posso melhorar a qualidade de vida dessas pessoas levando um pouco da natureza até eles.

Hoje sei viramos especialistas em JARDINS URBANOS. E falo isso com firmeza, com orgulho.

Com as plantas em altíssima moda (amém!) vários outros nomes já foram criados para isso que a gente vem fazendo, com diversas hashtags, inclusive: #urbanjungle, #plantstyling , #plantdecor, #jardimdeinteriores, #outdoordesign

Posso dizer que o meu objetivo inicial de levar o verde pra todo mundo que quisesse ter um jardim pra chamar de seu vem sendo cumprido, mas com um adendo agora: quero que o verde faça diferença na vida delas.

Tá mais difícil? Fazer o que? É nisso que acredito. E que venham novos apelidos!!!!

Tenho um convite para te fazer: Dia 14 de abril as 19:30 eu e o Rico Adinolfi da Wall Plant somos os convidados do Papo de Paisagista Online, falaremos sobre Plantas na Parede, tanto para profissionais que querem se aprimorar nas técnicas e nos tipos de sistemas, quanto para Amantes da Natureza que querem de forma mais simples ter suas paredes verdes criativas e lindas!!!

Veja como participar clicando aqui e inscreva-se para fazer parte desse Papo que será ao vivo e online, aproveitem!!!

Plantas na Parede – por Juliana Freitas

Falar de jardins verticais é um prazer para mim porque esse é um recurso que já utilizo em meus projetos a muitos anos, fiz minha primeira parede verde em 2007 e desde então estudei muito sobre o assunto, peguei gosto e não parei mais de colocar plantas nas paredes.  Considero os jardins verticais mais uma alternativa que encontrei para tornar tudo mais verde e natural nas cidades e na vida das pessoas !!!

Normalmente uso desse recurso em locais com pouca área permeável como pequenos jardins cercados de muros, áreas de recuos laterais que podem se transformar em verdadeiros corredores verdes, paredes internas que tenham certa relevância em um projeto de arquitetura, muros e fachadas.

No entanto existem infinitas possibilidades de fazer jardins verticais não só pela variedade de sistemas estruturais disponíveis no mercado como também pela nossa criatividade que não tem limites e permite fazermos diversas composições com revestimentos, esculturas, objetos, móveis e até chuveirões como fiz no projeto de um rooftop em SP.

Mas vamos começar do início, como escolher o melhor sistema para o seu caso? Essa não é uma tarefa simples porque cada projeto tem suas características mas, vou listar algumas dicas ou melhor dizendo, elencar coisas importantes que devem ser previstas.

1.Escolha do sistema – para escolher como montar seu jardim vertical você vai precisar estudar se o local tem capacidade para suportar o peso do sistema (lembre-se de verificar com o fabricante a carga considerando estrutura, substrato, plantas e água) e prever drenos para escoamento da água excedente (aquela que não é aproveitada pelas plantas) caso o jardim vertical não esteja em área permeável. Além disso será preciso conhecer as formas de fixação da estrutura escolhida, prevendo inclusive resistência à força de ventos e vibrações das paredes que receberão os jardins.

2. Irrigação – de preferência automatizada para garantir a rega adequada à cada espécie com quantidade de água e frequência corretas e equivalentes a cada tipo de espécie e setor da parede. Muitas vezes é inviável praticar regas manuais tanto por dificuldade de acesso à toda a parede quanto por não conseguirmos eficiência na rega.

3. Espécies vegetais – a escolha das plantas deve ser feita por um especialista que poderá prever o crescimento e “mapear” a parede para um jardim de sucesso. São muitas coisas para pensar como o clima da região, o microclima do local, a insolação (qual a incidência de luz solar, situações de meia- sombra e sombra) a maneira como cada espécie se desenvolve, os efeitos decorativos pretendidos, toxicidade das plantas, necessidade de manutenção e exigência hídrica das espécies que devem estar combinadas para receber a mesma quantidade de água enfim, tantos aspectos técnicos que nada melhor do que confiar essa função a um profissional da área.

Nesse jardim vertical coladinho com a piscina aproveitei para criar uma cascata e abusei das cores na escolha das espécies

4. Manutenção – apesar de ser um tipo de jardim que parece fazer tudo sozinho, mesmo com irrigação automatizada os jardins verticais precisam de manutenções periódicas e independente do sistema utilizado, serão elas que irão garantir a longevidade e a saúde das paredes verdes. Nas manutenções além das podas e limpezas de galhos e folhas secas é importante estar atento à umidade e por isso, fazer constantes alterações no sistema de rega como programações diferentes para cada estação do ano, avaliação dos sensores de umidade e atenção à possíveis falhas do sistema, sempre serão tarefas humanas portanto, não podemos abandonar os jardins mesmo que sejam totalmente automatizados. O mesmo para a adubação que em alguns sistemas é feita de forma manual e outras através de fertirrigação que nada mais é do que injetar adubos líquidos pelo sistema de rega. Claro que tudo isso precisa ser tecnicamente definido e os adubos bem dosados portanto, mais um motivo para que profissionais especialistas ajudem nos cuidados do seu jardim vertical. Sem falar na questão das alturas que muitas vezes os profissionais precisam subir para fazer esse trabalho e com certeza eles estarão mais habilitados e equipados com segurança para executá -lo.

5. Iluminação – iluminar sua parede verde é uma opção que depende do uso do ambiente, nada melhor do que valorizar as plantas com luz e ainda criar ambientes mais aconchegantes para usos noturnos. No caso dos muros e paredes externas, iluminar uma fachada verde valoriza e ainda ajuda na segurança das ruas.

Uma parede verde onde usei apenas 2 espécies criando uma textura interessante ainda mais valorizada pela iluminação – projeto em parceria com a Wall Plant para um restaurante com uso noturno importante.

Acho que falei das premissas básicas para o sucesso de um jardim vertical mas claro que cada projeto é único e tem suas peculiaridades podendo trazer desafios ainda maiores ou não, podendo ser implantados de forma mais simples e prática. Falando em praticidade, é importante que independente do sistema o jardim vertical não se torne um problema futuro, demandando cuidados e atenção que as vezes nem temos para disponibilizar.

Selecionei mais algumas imagens de projetos onde fiz uso desse recurso de plantas na parede,  espero que gostem e sirvam de inspirações.

Ambiente de spa com cascata e combinação de cores com o entorno (espaço gourmet).
Jardim vertical de 15m de altura que fiz para a sede de uma empresa em SP – Biofilia em ambientes comerciais

Ah, faltou contar para vcs que em visita ao jardim vertical do Musée Du Quai Branly de Paris, tive a oportunidade e honra de conversar pessoalmente com Patrick Blanc o precursor em jardins verticais no mundo, o que me fez olhar para o tema com outros olhos e me apaixonar ainda mais por essa técnica paisagística.

Imagem do dia que conversei com Patrick Blanc, nosso grupo de paisagistas aguardando a chegada do artista.

E para quem não quer fazer um jardim vertical tão complexo e profissional e mesmo assim quer colocar plantas nas paredes? Veja algumas referencias criativas que podem ser boas formas de trazer a natureza para perto e para as alturas…

Vergalhões de ferro com vasos de barro encaixados – fonte via Pinterest
Prateleira divertida em formato de cacto com plantas apoiadas e penduradas – fonte via Pinterest
Nichos de madeira em formato colmeia com plantas apoiadas – fonte via Pinterest

Quer saber mais sobre esse assunto? Tenho um convite para te fazer:

Dia 14 de abril as 19:30hs a Gabi Pileggi da Jardineiro Fiel e o Rico Adinolfi da Wall Plant estarão no Papo de Paisagista Online mostrando mais sobre plantas na parede. Eles vão falar tanto para os profissionais que querem se aprimorar nas técnicas e nos tipos de sistemas, quanto para os Amantes da Natureza que querem de forma mais simples ter suas paredes verdes criativas e lindas !!!

Veja como participar clicando aqui e inscreva-se para fazer parte desse Papo que será ao vivo e online, aproveitem !!!

Coliving: a inovação no jeito de viver – por Chris Lara

Você já ouviu falar em coliving?  Um novo conceito de moradia compartilhada que representa uma mudança significativa na maneira de pensar o morar e o viver nas grandes cidades.

No passado recente, a norma social era trabalhar duro e comprar a casa ou apartamento dos sonhos. Mas a sociedade está passando por muitas mudanças e, embora o conceito de compartilhamento não seja uma ideia nova, ele vem ganhando força e ajudando a derrubar comportamentos padrões, como o sonho do carro e da casa própria.

O coliving pode ser considerado uma evolução dos projetos de unidades habitacionais que compartilham determinadas áreas comuns, como lavanderias, espaços de lazer e serviços. Os apartamentos ficam ainda mais compactos, com projetos que podem ir de 30 até 2m² – este último chamado também de cápsula. Enquanto as áreas compartilhadas são projetadas para suprir o que foi tirado do ambiente individual. Mas a ideia de compartilhamento vai muito além do físico.

O movimento tem como valores conceitos como: pertencimento a uma comunidade, conveniência e economia. A conexão dos moradores em torno de um interesse comum, de querer aprender e crescer com as pessoas com as quais se cercam, também é levado em conta. E este conceito não é só para a turma jovem, que parece já programada para a era do compartilhamento, vale também para idosos, que passam a buscar uma forma mais inclusiva de viver a nova idade.

Outro aspecto é a valorização do impacto ambiental positivo a partir do compartilhamento de recursos e redução de custos. Afinal, um dos grandes problemas que este modelo de moradia vem resolver é a dificuldade das pessoas de se manterem morando em regiões centrais, em função do alto custo do m² e das dificuldades de mobilidade nos grandes centros.

Seja para estarem mais perto do trabalho ou por acreditar que o mundo colaborativo é mais justo e sustentável, todas as mudanças na forma de viver impactam em uma vasta cadeia de fornecedores de produtos e serviços. Afinal, quando a interação do indivíduo com o ambiente muda, surgem novas oportunidades e desafios.

O coliving é sem dúvida uma oportunidade para fortalecer o papel do paisagismo na idealização de ambientes pensados para os novos tempos. Uma forma de viver mais coletiva, mais leve, que quer ter menos coisas. Com espaços de estar especialmente projetados para inspirar a interação e o compartilhamento de experiências. É impossível pensar em ambientes com esse fim sem lembrar jardins, hortas, pátios e muito verde. Bem vindo à nova era do paisagismo. Uma era que pede novas paisagens.

Se você gosta de acompanhar as mudanças de mercado que impactam o paisagismo, vai gostar de ler também o artigo “Uma profissão para os nossos tempos”.

5 Jardins Espetaculares – por Vitoria Davies

Sabe aqueles jardins que você vê na Internet ou visita e que você nunca mais esquece? Se alguém te pede para citar jardins que te impressionaram, são os que vêm à mente?

Vou me deter em apenas cinco dos que constam na minha lista de “especiais”, respeitando o espaço deste blog. Obviamente a lista é bem mais ampla e inclui jardins de todos os estilos…

1.HILGARD GARDEN– Mary Barensfeld (https://barensfeld.com)

A arquiteta paisagista americana Mary Barensfeld, extensamente premiada por seus trabalhos em arquitetura, arquitetura paisagísta e urbanismo, atua na Califórnia e na Pensilvânia.

No trecho do terreno em aclive acentuado, Barensfeld evitou ocupar espaço com o convencional uso de escadas criando muros de concreto angulares que sustentam os vários níveis, com um deck no topo e uma rampa sinuosa que dá acesso a cada um deles.

Foto: Joe Fletcher Photography
A divisória em aço corten marca o limite do terreno e serve ao mesmo tempo como jardineira para bambus.
Foto: Joe Fletcher Photography
Combinação perfeita de materiais: madeira, cimento e aço corten
Foto: Joe Fletcher Photography
O deck no patamar mais alto permite reclusão e tranquilidade.
Foto: Joe Fletcher Photography
Foto: Joe Fletcher Photography
A iluminação destaca o zigue-zague na estrutura dos vários níveis.
Foto: Joe Fletcher Photography

2. BROUGHTON GRANGE – Tom Stuart-Smith (1960 – ) (http://www.tomstuartsmith.co.uk)

O renomado paisagista britânico Tom Stuart-Smith participou de vários Chelsea Flower Shows; em oito deles foi premiado com medalha de ouro e, em três deles, venceu na categoria “Best in Show”.

O parterre criado por ele em Broughton Grange com formas orgânicas é deslumbrante, em contraste com os parterres tradicionais em jardins formais. Quando os canteiros delimitados pelas cercas-vivas baixas se enchem de tulipas, o resultado é realmente sensacional. Na realidade, são como vários jardins em um, com diferentes espécies usadas dependendo da estação. E mesmo no inverno, com os canteiros nus, as formas orgânicas cobertas de neve sobressaem espetacularmente.

Via Google
Via Google
Via Pinterest
Com os canteiros nus, as formas orgânicas cobertas de neve sobressaem espetacularmente. Via Pinterest.

3.  CELLS OF LIFE – Charles Jencks (1939-2019) (https://www.charlesjencks.com)

Charles Jencks foi um renomado teórico cultural, historiador da arquitetura e paisagista. Nascido nos Estados Unidos, mais tarde estabeleceu-se no Reino Unido e se tornou um influente arquiteto paisagista na Grã-Bretanha. Inspirava-se na genética, nos buracos negros, na teoria do caos e em ondas.

Cells of Life (Células da Vida), em Jupiter Artland, nos arredores de Edimburgo, é sua interpretação paisagística do processo de mitose, em que uma célula se divide em duas outras células. Os oito relevos, com um caminho ligando-os, cercam quatro lagos e celebram a célula como a base da vida.  

Via Google
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4. HOFU CREMATORIUM – Shunmyo Masuno (1953 – )

O japonês Shunmyo Masuno é o mais importante paisagista Zen do mundo, além de monge Zen, professor na Universidade Tama Art e fundador da empresa Japan Landscape Consultants Ltd., responsável por numerosos projetos no seu país e no exterior.

Segundo Masuno, “o jardim é um lugar especial no qual a mente habita”; os jardins Zen devem recriar um “cenário natural”, uma versão em miniatura do mundo, e acalmar a mente e a alma. No jardim criado para o crematório na cidade de Hofu, Japão – premiado pelo A’ Design Award em 2016 na categoria Planejamento Paisagístico e Paisagismo – o trecho ao fundo representa o além, e o arranjo de pedras, suas montanhas distantes. A área verde, orgânica na frente representa esta vida. A areia branca no trecho central simboliza a divisão entre esta vida e o além.

Via Pinterest
Fonte: adesignaward.com
Fonte: adesignaward.com

5. GM GARDEN – Alex Hanazaki (https://www.hanazaki.com.br)

Foi difícil escolher apenas um jardim espetacular daquele que considero o maior paisagista brasileiro da atualidade. Hanazaki é realmente genial, no verdadeiro sentido da palavra. O GM Garden, que o paisagista diz ter se resumido a “grama e enxada”, atesta sua genialidade. Foi um projeto desafiante para o paisagista – um jardim residencial de quase 9.000 m2, com as seguintes exigências do cliente: a) que fosse de baixa manutenção, e b) ele não queria gastar dinheiro… Tendo que fazer o paisagismo de uma grande área e com baixo orçamento, Hanazaki resolveu “brincar de cavar a terra” e criar vários patamares, limitando-se a usar grama e capins-do-Texas, ambos de baixo custo.

Ele afirma que não sabe por que fez aquele buraco, mas que acabou sendo um elemento que preencheu aquele espaço e proporcionou uma vista, basicamente usando grama e enxada… Ironicamente, apesar de ter sido o jardim com o menor orçamento que já fez, é o mais reconhecido mundialmente: ganhou todos os prêmios no segmento residencial, nas Associações mais importantes do mundo, e apareceu em mais de 80 publicações, entre nacionais e internacionais.

Limitado pelo orçamento, Hanazaki utilizou apenas grama e enxada para criar um design espetacular: uma grande depressão ligada ao resto por uma ponte e que, além de preencher o espaço, proporcionou uma belíssima vista.
Foto: Beto Riginik
Foto: Beto Riginik
Vista da piscina.
Foto: Beto Riginik
Foto: Beto Riginik

Hanazaki diz que “Sempre o meu maior desafio quando desenvolvo um produto é sair do óbvio”. Esse é um dos seus muitos jardins que são exemplos máximos disso…

Paisagismo, Arte e Fotografia – por Tereza Goulart

Num mergulho pela arte passando por jardins, esculturas, pinturas e fotografias; posso observar a cada dia mais como as paletas de cores, os movimentos dos traços e os detalhes da arte se misturam com o paisagismo.         

A linguagem da natureza está intimamente ligada aos poetas, pintores, arquitetos e fotógrafos.

De repente, me vejo no jardim do Instituto Casa Roberto Marinho, projetado cuidadosamente pelo mestre Roberto Burle Marx, onde vários artistas são convidados à se inspirar nas curvas, cores, levezas e resistência da natureza presente nos jardins para criarem uma linda mostra intitulada “O jardim”. 

No Museu da República (museu inaugurado 1867) que teve seu jardins projetados primeiramente pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou a exposição de Patricia D’Angello traz uma beleza de cores, detalhes, enfrentamentos críticos de forma alegre e delicada.

Algumas obras abaixo seguirão como um convite ao passeio e meditação por ambos jardins e suas obras.

“Num galho de tronco retorcido pode residir uma força plástica oculta”
(Márcia Mello e Paulo Venâncio Filho)
Obra: Frans Krajcberg
Jardim do Edem – retratado por Patricia D’Angello – com toda força das cores, prazeres, alegria e dor.

Você se vê refletido na imagem. E o que se pode esperar desse reflexo? 

Nem tudo são flores – Patricia D’Angello
A sutileza da construção de uma floresta em forma de pequenas placas de ferro delicadamente corroídas, trazendo uma gigantesca diversidade de espécies botânicas.
Obra : Hilal Sami Hilal
A sutileza da construção de uma floresta em forma de pequenas placas de ferro delicadamente corroídas, trazendo uma gigantesca diversidade de espécies botânicas.
Obra : Hilal Sami Hilal
Enquanto passamos pelos jardins somos água, flor , vida , pássaros…
Obra: Vânia Mignone
Árvores de uma natureza construída a partir das digitais do seu criado.
Obra: Eduardo Salvatore
Nessa mistura de tons pastéis de mais uma obra de Patricia D’Angello deixo aberto à todos as possibilidades de viajarem nos encantos dos jardins.

Uma carreira para os nossos tempos – por Chris Lara

Recentemente li uma matéria no site do The New York Times com a chamada: You can pay people to style your houseplants (numa tradução livre: você pode pagar alguém para estilizar suas plantas). Mas o que mais me chamou a atenção foi o subtítulo escrito em letras discretas: Uma carreira para os nossos tempos.

O texto apresenta plant stylist, ou interior plant designer, como uma profissão emergente. Mas não seria a mesma coisa que Paisagista? Para mim a resposta é: depende. Depende de como o paisagista quer se posicionar, qual mercado deseja atender e como trabalha seu cardápio de serviços.

A matéria mostra o surgimento de um novo nicho de mercado, direcionado a atender pessoas que gostariam de ter sua própria urban jungle, mas não tem tempo e/ou não sabem cuidar. Um público que pode estar sendo negligenciado por profissionais da área por dificuldade de adaptar o modelo atual de prestação de serviço com uma proposta de negócio atraente e rentável. O ponto de atenção é que, enquanto isso, outras pessoas – profissionais da área ou não – estão olhando exclusivamente para este mercado como uma oportunidade.

Foto: Vincent Tullo para The New York Times (imagem extraída do site)

Um dos exemplos apresentados é da Liza Munoz, que aparece na foto de capa do artigo. Ela oferece pacotes a partir de U$2.000 que incluem a escolha das plantas de forma personalizada para o ambiente, preparação dos vasos, entrega e um guia de cuidados. Além desta consultoria, ela também oferece duas modalidades de manutenção, quinzenal ou mensal. A descrição vem apresentada de forma clara em seu site. O que garante uma conexão rápida com o público alvo. Um bom exemplo de posicionamento de marca.

Talvez este nicho de consultorias e pequenos projetos com vasos não seja o seu foco. Mesmo assim, é importante reconhecer o movimento e entender como ele afeta o setor. Todos os segmentos da economia passam por disrupturas que vem sendo lideradas, em sua grande maioria, por jovens empresas que se dedicam a resolver um problema de forma mais eficiente, econômica e focada no usuário. O Uber tirou clientes do transporte público e até mesmo das concessionárias e dos bancos. O Airbnb concorre com hotéis e operadoras de viagem dando acesso a milhares de pessoas a viagens antes inviáveis. Cada dia vemos mais exemplos como esses. Empresas tradicionais estão perdendo espaço para modelos de negócio mais leves e orgânicos.

O mesmo acontece com as profissões. Por isso, olhe longe, além do óbvio. Pense em novas formas de transformar o seu propósito em negócio. O paisagismo da nova era vem aí, e para atingir um maior número de pessoas precisamos abrir novas frentes.

Leia aqui a matéria que inspirou este artigo.

Veiling Market – por Flávia Nunes

Calathea orbifolia (Acosta Plantas Ornamentais)

Em 2018 fui a primeira vez ao Veiling Market a convite da minha amiga Carol Costa. E ainda participei do 3º Forum de Paisagismo com Cate Poli, Gica Mesiara, Alex Hanazaki, Carol Costa, Luis Carlos Orsini, Daniel Nunes, José Marton que foi organizado pela Flortec na Granflora.

Anthurium maior que a minha mão (Geraldo Barendse)
Anthurium (Geraldo Barendse)

Na feira me deparei com vários produtores expondo as mais lindas plantas que são distribuídas pra todo Brasil.

Flor da Maranta leuconera var. erythroneura (Acosta Plantas Ornamentais)

Eram tantos que não consegui visitar todos os stands, o mesmo aconteceu na edição seguinte. Eram tantas novidades que eu queria fotografar tudo e conversar com os representantes e produtores, tirando dúvidas pegando contatos.

Echeveria Hot Chocolat (Vankampen)
Aglaonema Queen (Acosta Plantas Ornamentais)

Parada obrigatória no stand da Acosta Plantas ornamentais.

Deborah e Fernando me apresentando as novidades no mundo das folhas (Acosta Plantas Ornamentais)

Não tive como deixar só na lembrança tanta planta com potencial paisagístico e comecei a incluir nos projetos fazendo com que os meus fornecedores locais trouxessem para as lojas do Rio diversificando um pouco os produtos. Acho interessante a relação com os fornecedores.

Mil cores (Sitio Formosa)

Vou dar o exemplo da loja Chico Faria Flores que fica no Cadeg, eu encomendei a planta Mil cores que vi no box Sítio Formosa e como tinha anotado foi fácil informar de quem eu queria. Assim também com a Tradescantia do Sitio Campo que trouxe um diferencial pro jardim do meu cliente. É muito bom usar plantas diferentes e não ficar preso só ao que nos é fornecido.

Tradescantia fluminense tricolor (Sitio Campo)
Philodendron Xanadu (Acosta Plantas Ornamentais)

Usei numa cobertura no bairro de Laranjeiras, RJ o Mini hibisco que comprei pela Holambelo.

Petit Hibisqs (Panorama Flores)

Muitas vezes ouvi de colegas de profissão que tais plantas cultivadas em estufas não serviriam pra fazer jardim. Ah é? Então o que dizer dessas que estão lindas nas casas dos meus clientes?  É óbvio que planta de estufa vai queimar se eu usar a sol pleno, assim como o Croton Petra da Magna Flora está lindíssimo na minha sala em ambiente interno. Se você sabe a origem da planta é mais difícil errar na hora de selecionar plantas.

Stand Magna Flora sempre lindo e um abraço da Vivian Kleing que toda quarta feira posta conteúdo riquíssimo no Instagram da Magna Flora

É uma satisfação encontrar plantas que Burle Marx “introduziu” no paisagismo como as Selaginellas.

Chamada de Samambaia azul essa Selaginella (Sol Nascente)
Selaginella erythropus ‘Sanguinea’
Eu e Juliana Freitas encantadas com esta planta que até então só tinha visto no Sitio Burle Marx em Guaratiba RJ

O Veiling Market é uma feira de exposição para conhecer novos produtos e tendências do mercado de flores e plantas que acontece anualmente em marco e setembro.

O próximo Veiling Market será realizado nos dias 19 e 20 de março de 2020. Quer conhecer? O Papo de Paisagista esta organizando uma visita técnica, vamos juntos!


Quando o paisagismo encontra a arte e o design – por Chris Lara

Compreender o paisagismo como uma atividade integrada a outras artes abre portas para novas formas de manifestação da criatividade. O resultado são projetos com paisagens únicas e cheias de expressividade.

A diversidade botânica é, por si só, um grande elemento de criação — existem hoje mais de 46 mil espécies identificadas no globo, sendo 43% delas exclusivas do território nacional. Apesar de a grande maioria ainda não ser produzida para uso em projetos paisagísticos, a variedade disponível comercialmente vem crescendo, assim como o interesse das pessoas por se conectar com esse universo natural tão surpreendente.

Mas a expressão do paisagismo vai muito além. A integração e a incorporação de novos elementos na composição da paisagem — como esculturas, pinturas e peças de design — potencializam novas formas de interação entre o ser humano e o jardim.

Essa composição pode acontecer de maneira mais natural com o uso de elementos utilitários, como mobiliários e vasos.

Um dos clássicos bancos do artista Hugo França, reconhecido por transformar madeira descartada pela movelaria tradicional em esculturas mobiliárias. Uma marca do artista é manter ao máximo as formas orgânicas e a textura da madeira. É como se ela guardasse a memória da árvore. Foto tirada em Inhotim, onde estão 98 peças do designer. (Foto: @alemdoconcreto)
Peças do designer americano Caleb Woodart, reconhecido como um artista contemporâneo no trabalho de esculpir madeira e criar formas inusitadas. (Foto: Caleb Woodboard)

É fácil imaginar peças como essas, criadas a partir da interpretação das diferentes formas de trabalhar a madeira bruta, integradas a projetos paisagísticos, seja em ambientes domésticos, seja em espaços públicos ou até mesmo comerciais. Na contramão do orgânico, a introdução de elementos mais inesperados, como o vidro, fortalece a expressão artística do projeto. Uma alternativa para a criação de novos pontos focais e perspectivas visuais e sensoriais.

Instalações das esculturas em vidro do Chihuly Studio em grandes jardins botânicos: Royal Kew Gardens, Londres, 2019 | Franklin Park Conservatory and Botanical Gardens, Columbus, Ohio, 2019. (Fotos: @chihulystudio).

A paisagem passa a ser um espaço de contemplação da arte. Um lugar para ficar e refletir.

Obras em mármore do escultor Pita Camargo: Ambiente da CASACOR SC 2019 – Jardim das Lendas com projeto do Grupo Lenotre | Escultrura na Praça Pio XII em Florianópolis. (Foto Divulgação)

O jardim se torna mais atrativo e dinâmico. Cores, texturas, aromas e som se misturam para construir locais que nos convidam a vivenciar uma experiência de relaxamento.

Mural “O Jardim”, por Thiago Mazza. Um mural de 40x13m (520m²) como plano de fundo para um boulevard que recebeu o projeto idealizado por alunos do curso de paisagismo do SESC MG. Realização: Boulevard Shopping – Belo Horizonte. (Fotos autorais)

O caminho inverso também é valorizado. Cada vez mais o paisagismo é convidado a compor obras de arte, tornando-as mais vivas e realistas.

Instalação “The Crisis” do artista americano Rashid Johnson. Ele incorporou plantas de lugares diferentes como metáfora para o coletivo que existe dentro de cada ser humano. (Foto Galary Magazine)

Essa agregação é histórica, basta lembrar dos jardins reais com esculturas e topiarias, os delicados gazebos em ferro, as artes em pedra, granito e mármore.

Paisagismo é a arte em si. Mas quando ele incorpora outras obras, pensadas por outros artistas, o resultado pode surpreender.

Dicas para combinar plantas – por Vitoria Davies

É desconhecimento de muitos que o paisagismo envolve muito mais do que a seleção de plantas. Na verdade, ao se projetar um jardim, a escolha das plantas acontece no final de um planejamento que abrange primeiramente o planejamento do espaço – onde inserir caminhos, que tipo de piso usar, qual o melhor local para a churrasqueira, entre outras coisas. Isso se aplica também a coberturas, jardins de inverno etc. Como paisagista, adoro o desafio de todas as etapas desse processo, mas sempre senti atração especial pelo impacto criado com o contraste de cores, formas, texturas e alturas em um jardim, canteiro, parede verde ou vaso e pela técnica de combinar plantas de forma a criar esse impacto. E é sobre isso a coluna de hoje.

O britânico Alan Titchmarsh, autor de mais de 30 livros sobre jardinagem, e alguns outros profissionais tendem a achar que a criação de belas combinações de plantas resulta de um misto de intuição e de tentativa e erro. Tenho uma visão bem menos empírica a respeito, porque na verdade há um número de fatores que garantem belas composições. (Obviamente a escolha das plantas a serem combinadas tem que levar em conta as condições que elas requerem – por exemplo, se uma delas requer pouca água, não será possível combiná-la com outra que exija regas frequentes…)

Os fatores que garantem bons resultados seriam:

1.Contraste entre cores

Foto de Christina Salwitz

O vermelho e o verde são cores complementares, isto é, cores que estão opostas umas às outras no círculo cromático. Ficam mais vibrantes, intensas, quando combinadas, e esse contraste entre elas garante um visual impactante, como na composição acima. O mesmo se aplica às combinações de amarelo e roxo, azul e laranja.

Fonte: petalasnaturais.com.br

O contraste é mais sutil quando se combinam plantas ou flores de cores análogas, isto é, cores que aparecem uma ao lado da outra no círculo cromático, como vermelho e laranja; laranja e amarelo; amarelo e verde; verde e azul; azul e violeta; violeta e vermelho, ou em grupos com mais de duas cores análogas, como verde, amarelo e laranja; amarelo, azul e violeta etc. Embora o contraste seja menor, a combinação fica elegante:

Projeto de Vitoria Davies Paisagismo

As cores frias, como o azul, violeta, branco, amarelo claro e tons de verde passam uma sensação de calma e maior distanciamento, enquanto a combinação de plantas com cores quentes, como o laranja, amarelo e vermelho, é mais forte, se destaca mais.

Projeto de Cristiana Ruspa. Via Google

As plantas com tom prateado/azul-metálico funcionam como neutras e dão um toque especial junto a qualquer outra planta, ou conjunto de plantas, de cor diferente.

Via Google

A combinação de plantas com diferentes tons de uma única cor confere certa dramaticidade à composição:

Foto de Vitoria Davies
Fonte: Hayefield.com

Uma boa fonte de inspiração para combinar plantas no que diz respeito às cores são os cartões postais com pinturas de grandes pintores. Os artistas plásticos, mais do que ninguém, são craques em combinar cores…

2. Formato das folhas

Folhas com formatos diferentes ajudam a criar uma camada extra de interesse visual, fazendo com que o jardim, parede verde etc. tenham maior diversidade e, assim, fiquem menos monótonos. Por exemplo, espécies com folhas pontiagudas contrastando com plantas de folhagem arredondada:

Foto: Christina Salwitz

Quando se combina plantas com texturas diferentes, o efeito é similar.

3. Textura

Texturas contrastantes também sempre garantem bons resultados. A parede verde abaixo é um ótimo exemplo disso, onde o contraste marcante é entre o filodendro, com suas folhas lisas, e o aspargo, com sua textura crespa, embora a textura das outras plantas também contribuam para a beleza desta composição.

Via Google

Um outro bom exemplo do efeito do contraste de texturas:

Via Google

4. Estampas das folhas

Uma outra maneira de criar belas composições é contrastando as estampas das folhas, como no caso da combinação da alocásia amazônica com a begônia abaixo:

Foto de Christina Salwitz

5. Altura das plantas

A variação na altura das plantas também produz um visual mais interessante, com as diferentes camadas tornando a composição mais cheia e exuberante. Geralmente isso significa plantar as espécies menos altas na frente e as mais altas, atrás.

Foto de Vitoria Davies

Por uma questão “didática”, listei separadamente os tipos de contrastes que geralmente garantem composições impactantes. Mas, como se vê em várias das imagens mostradas, cada composição pode incluir mais de um tipo de contraste – cor e formato; cor, formato e textura; e assim por diante.  

Concluo a coluna com foto de uma pequena composição que fiz em uma cobertura, num local onde anteriormente, segundo a cliente, nada dava certo. O Alan Titchmarsh e outros diriam talvez que a minha “intuição” funcionou. Penso diferente: não tinha como não dar certo uma composição com esse infalível contraste de cores, formatos, texturas e alturas…

Projeto Vitoria Davies Paisagismo

A autoridade e o marketing – por Chris Lara

Quando você pensa em uma autoridade no paisagismo, que nome vem na sua mente? Talvez seja o mestre Burle Marx ou outro paisagista que admira muito. Provavelmente você pensará em pessoas reconhecidas, que parecem muito distante de nós, simples mortais. Sem negar a contribuição desses artistas, é possível aproximar o conceito de autoridade da perspectiva dos negócios na era da internet.

O mundo online deixou o conhecimento muito mais acessível e potencializou a comunicação, dando visibilidade a pessoas que usam as ferramentas disponíveis de forma estratégica para se posicionar como especialista em um determinado assunto.

O aumento das ferramentas de buscas, como Youtube e blogs, impactou diretamente no processo de tomada de decisão das pessoas antes da compra. Com fácil acesso a informações sobre o que precisam, os consumidores, sejam eles pessoas físicas ou empresas, ganharam autonomia para tomar decisões e definir o seu momento ideal de compra. Antes mesmo de fazer contato com possíveis fornecedores.

Isso significa que as pessoas estão consumindo mais informação sobre os temas de interesse. E o que não falta é conteúdo disponível, seja em comunidades, reviews de produtos e serviços, fóruns e etc. É aí que a estratégia de construir uma autoridade sobre um determinado assunto pode entrar a favor do seu negócio. Quando se posiciona como especialista você fortalece sua “marca”.

Quanto mais focado você for em um determinado assunto ou nicho, mais chance de conseguir aprofundar no conteúdo, podendo criar uma relação mais duradoura com o seu público. Ajudar as pessoas respondendo suas dúvidas, compartilhar conhecimentos consolidados (uma soma de tudo que aprende e testa), mostrar que se mantém atualizado e compartilhar suas fontes de conhecimento são formas de exercitar esse papel de autoridade.

Existe uma oportunidade aí para os paisagistas. É fácil encontrar no mundo online pessoas que falam para os amantes de plantas, mas poucos falam de forma aprofundada sobre o dia a dia de um paisagista profissional. Sobre como o profissional dessa área pode contribuir. Esse tipo de posicionamento, inclusive, pode ajudar a quebrar objeções fortes, como por exemplo, a famosa barreira em relação ao custo do projeto de paisagismo. A construção da autoridade pode ser uma forma de justificar ao público o seu valor.

O resultado pode vir em forma de clientes, vendas, parcerias estratégicas e visibilidade. Mas voltando ao início do texto e aos nomes dos profissionais que você reconhece como autoridade no paisagismo, a autoridade não se impõe e nem acontece do dia para a noite. Autoridade é aquilo que você constrói nos bastidores, com estudo, execução, e principalmente, resultado. Você conquista em consequência a dedicação e empenho. Paralelamente a essa construção, você mostra para o seu mercado o seu papel de especialista e como pode ajudá-lo.