Xeropaisagismo e os jardins de Steve Martino – por Vitoria Davies

Na esteira da preocupação mundial com o progressivo esgotamento dos recursos hídricos do planeta, surge a moda do xeropaisagismo (grego xeros ‘seco’), isto é, a predominância de xerófitas no paisagismo, plantas que requerem pouca água, em geral por serem dotadas de caules e folhas carnudas para armazenar água, às vezes cobertas com uma camada de cera para diminuir a evaporação. São plantas que normalmente habitam áreas secas, como desertos, semi-áridos, caatingas e cerrados. O xeropaisagismo se tornou forte tendência em anos recentes e se mantém como uma das principais tendências do paisagismo para 2020, como reflexo da necessidade de se preservar nossos recursos hídricos e o meio ambiente. 

Estudos divulgados pela ONU em 2000 mostram que, em 2025, 45% da população mundial ficarão sem água potável. O desperdício de água e o elevado índice de natalidade dos países são os principais motivos dessa grave situação. Embora três quartas partes da superfície da Terra sejam compostas de água, a maior parte não está disponível para consumo humano, pois 97% são água salgada, encontrada nos oceanos e mares, e 2% formam geleiras inacessíveis. Apenas 1% de toda a água é doce e pode ser utilizada para consumo do homem e animais. Se mantivermos nosso padrão de consumo e de devastação do meio ambiente, o quadro irá se agravar mais ainda, e muito rapidamente. Daí a atual importância do xeropaisagismo.

Quando se pensa em espécies xerófitas, vêm logo à mente os cactos, as suculentas, a pata-de-elefante (Beaucarnea recurvata), o avelós (Euphorbia tirucalli), o dragoeiro (Dracaena draco), o dasilírio (Dasylirion acrotrichum) etc., mas na realidade há várias outras espécies, muito comuns e não típicas de áreas secas, que são também tolerantes à falta de água: a primavera (Bougainvillea), a lantana (Lantana camara), a grama azul (Festuca glauca), a palmeira-leque (Trachycarpus fortunei), a nandina (Nandina domestica), a ipomeia (Ipomoea purpurea), as árvores pata-de-vaca (Bauhinia variegata) e mulungu (Erythrina velutina), entre outras.

Dragoeiro (Dracaena draco). Via plantasflores.net
Dasilírio (Dasylirion acrotrichum). Foto: Vitoria Davies
Grama azul (Festuca glauca). Via Pinterest
Ipomeia (Ipomoea purpurea). Via Google
Pata-de-vaca (Bauhinia variegata). Via Google

Uma prática fundamental no xeropaisagismo é a redução de gramados, grandes vilões no que diz respeito ao uso excessivo de água. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água do planeta, principalmente a praticada pelo setor agrícola, e o objetivo é que o paisagismo também contribua para a sua economia. 

Outra prática é o uso de plantas nativas, que, por serem adaptadas ao clima local, requerem menos regas. 

Um dos grandes expoentes do xeropaisagismo é o premiado arquiteto-paisagista americano Steve Martino (stevemartino.net). Originário do Arizona, Martino concentra seu trabalho no Deserto de Sonora. Para ele, o que define um bom projeto de paisagismo é especialmente o quão benéfico ele é para o meio ambiente, e não apenas o quão belo é e o quanto atende às necessidades do cliente. Ele usa apenas plantas nativas em seus projetos, no caso, plantas desérticas. Seus jardins são exemplos belíssimos de xeropaisagismo, aliado a uma arquitetura também excepcional, com influência do arquiteto-paisagista mexicano Luis Barragán (1902-1988) no uso de cores. 

Então, deliciem-se com alguns exemplos do trabalho deste xeropaisagista por excelência…

Via Pinterest
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