Quando o paisagismo encontra a arte e o design – por Chris Lara

Compreender o paisagismo como uma atividade integrada a outras artes abre portas para novas formas de manifestação da criatividade. O resultado são projetos com paisagens únicas e cheias de expressividade.

A diversidade botânica é, por si só, um grande elemento de criação — existem hoje mais de 46 mil espécies identificadas no globo, sendo 43% delas exclusivas do território nacional. Apesar de a grande maioria ainda não ser produzida para uso em projetos paisagísticos, a variedade disponível comercialmente vem crescendo, assim como o interesse das pessoas por se conectar com esse universo natural tão surpreendente.

Mas a expressão do paisagismo vai muito além. A integração e a incorporação de novos elementos na composição da paisagem — como esculturas, pinturas e peças de design — potencializam novas formas de interação entre o ser humano e o jardim.

Essa composição pode acontecer de maneira mais natural com o uso de elementos utilitários, como mobiliários e vasos.

Um dos clássicos bancos do artista Hugo França, reconhecido por transformar madeira descartada pela movelaria tradicional em esculturas mobiliárias. Uma marca do artista é manter ao máximo as formas orgânicas e a textura da madeira. É como se ela guardasse a memória da árvore. Foto tirada em Inhotim, onde estão 98 peças do designer. (Foto: @alemdoconcreto)
Peças do designer americano Caleb Woodart, reconhecido como um artista contemporâneo no trabalho de esculpir madeira e criar formas inusitadas. (Foto: Caleb Woodboard)

É fácil imaginar peças como essas, criadas a partir da interpretação das diferentes formas de trabalhar a madeira bruta, integradas a projetos paisagísticos, seja em ambientes domésticos, seja em espaços públicos ou até mesmo comerciais. Na contramão do orgânico, a introdução de elementos mais inesperados, como o vidro, fortalece a expressão artística do projeto. Uma alternativa para a criação de novos pontos focais e perspectivas visuais e sensoriais.

Instalações das esculturas em vidro do Chihuly Studio em grandes jardins botânicos: Royal Kew Gardens, Londres, 2019 | Franklin Park Conservatory and Botanical Gardens, Columbus, Ohio, 2019. (Fotos: @chihulystudio).

A paisagem passa a ser um espaço de contemplação da arte. Um lugar para ficar e refletir.

Obras em mármore do escultor Pita Camargo: Ambiente da CASACOR SC 2019 – Jardim das Lendas com projeto do Grupo Lenotre | Escultrura na Praça Pio XII em Florianópolis. (Foto Divulgação)

O jardim se torna mais atrativo e dinâmico. Cores, texturas, aromas e som se misturam para construir locais que nos convidam a vivenciar uma experiência de relaxamento.

Mural “O Jardim”, por Thiago Mazza. Um mural de 40x13m (520m²) como plano de fundo para um boulevard que recebeu o projeto idealizado por alunos do curso de paisagismo do SESC MG. Realização: Boulevard Shopping – Belo Horizonte. (Fotos autorais)

O caminho inverso também é valorizado. Cada vez mais o paisagismo é convidado a compor obras de arte, tornando-as mais vivas e realistas.

Instalação “The Crisis” do artista americano Rashid Johnson. Ele incorporou plantas de lugares diferentes como metáfora para o coletivo que existe dentro de cada ser humano. (Foto Galary Magazine)

Essa agregação é histórica, basta lembrar dos jardins reais com esculturas e topiarias, os delicados gazebos em ferro, as artes em pedra, granito e mármore.

Paisagismo é a arte em si. Mas quando ele incorpora outras obras, pensadas por outros artistas, o resultado pode surpreender.

Deixe uma resposta