De démodé a “queridinhas da vez” – por Vitoria Davies

Tenho visto muitos stories e postagens no Instagram sobre a jibóia.  Assim como a samambaia, as duas são plantas que há algumas décadas se tornaram démodé, antiquadas, para ressurgirem como as plantas da vez. Primeiro foi a samambaia, planta exuberantemente cheia e pendente, perfeita para os jardins verticais – e foram eles que a resgataram do esquecimento quando viraram moda. Hoje são estrelas não só em jardins verticais, mas também pendendo do teto de salas, brotando de gavetas de cômodas, preenchendo vãos embaixo de aparadores, enfeitando estantes. A recente moda do urban jungle reforçou sua popularidade.

Existem cerca de 12 mil espécies de samambaias no mundo, sem esquecer da avenca, do asplênio e do chifre-de-veado, também samambaias. É uma das plantas mais antigas do planeta.

Via Google
Fonte: The Guardian

A jibóia, por suas folhas em forma de coração quando a planta é jovem e seu caimento gracioso, parece que também veio para ficar – figura em jardins verticais, adorna estantes em interiores, além de usada, em jardins, como trepadeira apoiada em suportes ou como cobertura de solo em locais mais sombreados.

Originária das Ilhas Salomão, a jibóia que vemos mais comumente em áreas externas e em interiores é uma das oito espécies do gênero Epipremnum. Trata-se da Epipremnum pinnatum.

Epipremnum pinnatum – Fonte: Pinterest

Outra espécie muito atraente desse gênero, que ilumina qualquer composição, é a Epipremnum aureum, com folhas amarelo-limão.

Epipremnum aureum – Fonte: Google

Mas o que proponho é que nós, paisagistas, contribuamos para tornar outras plantas também “queridinhas da vez”, solicitando-as a produtores para uso em nossos projetos. Se começarem a ser muito procuradas pelos profissionais da área, os produtores serão incentivados a produzirem-nas. Há no mercado alguns produtores apresentando novidades para diversificar a flora de nossos jardins e interiores, entre eles, @plantacaolocal.guaratiba (RJ) e @j.pompeo (SP); a maioria, porém, tende a produzir o que é mais conhecido e mais garantido de ser vendido. Algumas não são exatamente novidades, mas às vezes são desprezadas por serem consideradas “mato”, como a linda nativa flor-de-guarujá (Turnera ulmifolia), que, além de tudo, é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) – suas flores tornam saladas e saladas de frutas mais saborosas, e com as folhas, secas e trituradas, pode-se fazer chás ou condimentar comidas.

Flor-de-guarujá (Turnera subulata). Fonte: Google

Não é o caso da minipitanga (Eugenia mattosi), mas que também poderia entrar na categoria “queridinha da vez”, substituindo a já batida ixora, e estar mais presente no paisagismo, até mesmo em jardins verticais, como apontou a professora e paisagista Flávia Nunes em palestra recente sobre plantas nativas.

Termino com uma planta espetacular, tão nova no mercado, que ainda não tem nome popular. Produzida por produtor do grupo Plantação Local, foi estreada na Casa Cor Rio 2019 no jardim do paisagista Sandro Ward e já começa a aparecer em outros jardins, e até em paredes verdes: o Philodendron subhastatum. O paisagista carioca Rafael Carvalho, sócio da Vertic Jungle (@vertic_jungle), acaba de implantar em área externa uma belíssima parede verde que projetou, na qual utilizou esse filodendro. Versátil, o P. subhastatum ficará também magnífico em maciços e interiores.

Philodendron subhastatum. Foto de Claudia Leandro da Silva, idealizadora e representante comercial do grupo Plantação Local
Jardim vertical projetado e implantado pelo paisagista Rafael Carvalho. Foto de Rafael Carvalho

Difícil imaginar que essa maravilha de planta possa um dia se tornar démodé. Certamente virá a compor o grupo das “queridinhas da vez”, ou “queridinhas para sempre”… Estimulemos o mercado a vender essa e tantas outras que, apesar de merecerem destaque, são deixadas de lado em prol, em geral, das que o consumidor já conhece mais e garantem vendas. O paisagismo atual precisa de maior diversificação, e estamos no país certo para isso…

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