Sabe aqueles jardins que você vê na Internet ou visita e que você nunca mais esquece? Se alguém te pede para citar jardins que te impressionaram, são os que vêm à mente?

Vou me deter em apenas cinco dos que constam na minha lista de “especiais”, respeitando o espaço deste blog. Obviamente a lista é bem mais ampla e inclui jardins de todos os estilos…

1.HILGARD GARDEN– Mary Barensfeld (https://barensfeld.com)

A arquiteta paisagista americana Mary Barensfeld, extensamente premiada por seus trabalhos em arquitetura, arquitetura paisagísta e urbanismo, atua na Califórnia e na Pensilvânia.

No trecho do terreno em aclive acentuado, Barensfeld evitou ocupar espaço com o convencional uso de escadas criando muros de concreto angulares que sustentam os vários níveis, com um deck no topo e uma rampa sinuosa que dá acesso a cada um deles.

Foto: Joe Fletcher Photography
A divisória em aço corten marca o limite do terreno e serve ao mesmo tempo como jardineira para bambus.
Foto: Joe Fletcher Photography
Combinação perfeita de materiais: madeira, cimento e aço corten
Foto: Joe Fletcher Photography
O deck no patamar mais alto permite reclusão e tranquilidade.
Foto: Joe Fletcher Photography
Foto: Joe Fletcher Photography
A iluminação destaca o zigue-zague na estrutura dos vários níveis.
Foto: Joe Fletcher Photography

2. BROUGHTON GRANGE – Tom Stuart-Smith (1960 – ) (http://www.tomstuartsmith.co.uk)

O renomado paisagista britânico Tom Stuart-Smith participou de vários Chelsea Flower Shows; em oito deles foi premiado com medalha de ouro e, em três deles, venceu na categoria “Best in Show”.

O parterre criado por ele em Broughton Grange com formas orgânicas é deslumbrante, em contraste com os parterres tradicionais em jardins formais. Quando os canteiros delimitados pelas cercas-vivas baixas se enchem de tulipas, o resultado é realmente sensacional. Na realidade, são como vários jardins em um, com diferentes espécies usadas dependendo da estação. E mesmo no inverno, com os canteiros nus, as formas orgânicas cobertas de neve sobressaem espetacularmente.

Via Google
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Via Pinterest
Com os canteiros nus, as formas orgânicas cobertas de neve sobressaem espetacularmente. Via Pinterest.

3.  CELLS OF LIFE – Charles Jencks (1939-2019) (https://www.charlesjencks.com)

Charles Jencks foi um renomado teórico cultural, historiador da arquitetura e paisagista. Nascido nos Estados Unidos, mais tarde estabeleceu-se no Reino Unido e se tornou um influente arquiteto paisagista na Grã-Bretanha. Inspirava-se na genética, nos buracos negros, na teoria do caos e em ondas.

Cells of Life (Células da Vida), em Jupiter Artland, nos arredores de Edimburgo, é sua interpretação paisagística do processo de mitose, em que uma célula se divide em duas outras células. Os oito relevos, com um caminho ligando-os, cercam quatro lagos e celebram a célula como a base da vida.  

Via Google
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4. HOFU CREMATORIUM – Shunmyo Masuno (1953 – )

O japonês Shunmyo Masuno é o mais importante paisagista Zen do mundo, além de monge Zen, professor na Universidade Tama Art e fundador da empresa Japan Landscape Consultants Ltd., responsável por numerosos projetos no seu país e no exterior.

Segundo Masuno, “o jardim é um lugar especial no qual a mente habita”; os jardins Zen devem recriar um “cenário natural”, uma versão em miniatura do mundo, e acalmar a mente e a alma. No jardim criado para o crematório na cidade de Hofu, Japão – premiado pelo A’ Design Award em 2016 na categoria Planejamento Paisagístico e Paisagismo – o trecho ao fundo representa o além, e o arranjo de pedras, suas montanhas distantes. A área verde, orgânica na frente representa esta vida. A areia branca no trecho central simboliza a divisão entre esta vida e o além.

Via Pinterest
Fonte: adesignaward.com
Fonte: adesignaward.com

5. GM GARDEN – Alex Hanazaki (https://www.hanazaki.com.br)

Foi difícil escolher apenas um jardim espetacular daquele que considero o maior paisagista brasileiro da atualidade. Hanazaki é realmente genial, no verdadeiro sentido da palavra. O GM Garden, que o paisagista diz ter se resumido a “grama e enxada”, atesta sua genialidade. Foi um projeto desafiante para o paisagista – um jardim residencial de quase 9.000 m2, com as seguintes exigências do cliente: a) que fosse de baixa manutenção, e b) ele não queria gastar dinheiro… Tendo que fazer o paisagismo de uma grande área e com baixo orçamento, Hanazaki resolveu “brincar de cavar a terra” e criar vários patamares, limitando-se a usar grama e capins-do-Texas, ambos de baixo custo.

Ele afirma que não sabe por que fez aquele buraco, mas que acabou sendo um elemento que preencheu aquele espaço e proporcionou uma vista, basicamente usando grama e enxada… Ironicamente, apesar de ter sido o jardim com o menor orçamento que já fez, é o mais reconhecido mundialmente: ganhou todos os prêmios no segmento residencial, nas Associações mais importantes do mundo, e apareceu em mais de 80 publicações, entre nacionais e internacionais.

Limitado pelo orçamento, Hanazaki utilizou apenas grama e enxada para criar um design espetacular: uma grande depressão ligada ao resto por uma ponte e que, além de preencher o espaço, proporcionou uma belíssima vista.
Foto: Beto Riginik
Foto: Beto Riginik
Vista da piscina.
Foto: Beto Riginik
Foto: Beto Riginik

Hanazaki diz que “Sempre o meu maior desafio quando desenvolvo um produto é sair do óbvio”. Esse é um dos seus muitos jardins que são exemplos máximos disso…

One thought on “O poder terapêutico do verde – por Vitoria Davies

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