Sou paisagista, não sou vendedor – por Chris Lara

Vem aí uma provocação para a turma que pensa “não gosto de vender”.  Todo relacionamento envolve alguma troca de valor. No caso da relação de compra e venda, as pessoas pagam com dinheiro por aquilo que tem valor para elas. Entender isso pode ajudar você — profissional de paisagismo — a perder o medo de cobrar pelo seu serviço e a cuidar mais da sua estratégia de marketing.

Quando falo em vendas, não estou falando de uma relação nociva, em que uma das partes sai prejudicada. Não é fazer um projeto com espécies caras, ou em excesso, para ganhar comissão. Definitivamente não é isso. O relacionamento precisa ser baseado na transparência e no ganha-ganha. Dito isso, vamos explorar um pouco mais possíveis ações relacionadas à venda.

Por que encarar isso como parte do negócio

Se você está lendo este artigo, possivelmente não tem uma equipe especializada para te ajudar a pensar nessa tarefa. Logo, depende do seu esforço.

Quando a venda é compreendida como um processo dentro do negócio, fica mais fácil direcionar parte da sua energia para essa atividade. Criar metas, lista de contatos, planejamento de ações de relacionamento e até estudar o assunto (e continuar lendo minha coluna aqui no Papo… hehehe).

O primeiro passo é ver o tema com naturalidade. Encare a venda como uma forma de apresentar o que tem a oferecer ao outro. Uma apresentação verdadeira, conectada com a sua essência e seus valores. Assim como você faz quando se sente a vontade conversando em uma roda de amigos.

 A venda no mundo atual

Direcionar seu esforço de venda só para o produto (planta, vaso, cadeira) ou o serviço (consultoria ou projeto de paisagismo) não é suficiente. O conceito de venda de serviço ou produto básico já virou commodity. Hoje em dia há aplicativos que fazem serviços de design e a China reproduzindo um mar de produtos diferentes em alta escala. O que isso significa? Significa que é preciso oferecer mais para atrair clientes. Vocês precisa oferecer experiência.

Sabe aquela história do “engajamento” nas redes sociais? Engajamento é uma resposta que as pessoas têm depois que VOCÊ interage com elas. As redes sociais são, apenas, uma das possíveis ferramentas.

Escolha o seu canal e explore como um artefato de venda. Se for o Instagram (sem dúvida hoje um dos canais com maior potencial de gerar negócios), mantenha presença constante. Responda mensagens, compartilhe parte da sua rotina de trabalho, mostre onde e como busca novos conhecimentos. Essa é a base da construção de uma marca nas redes sociais. A interação deve ser proativa também. Você pode visitar as páginas das pessoas com quem quer se conectar e estimular a conversa, comentando e curtindo as postagens.

Se a sua principal estratégia for relacionamento com arquitetos e designers, crie formas de manter a cadência de relacionamento com eles. Mande fotos de novos projetos, comente sobre novos aprendizados e recursos que tem para oferecer. Mostre que você acompanha de perto a carreira deles.

Outro ponto de contato muito importante, talvez o mais importante de todos em uma estratégia de vendas e relacionamento, é o seu cliente. Não é só porque já entregou o projeto que você pode sumir do mapa. Interaja com mensagens perguntando como o jardim está evoluindo, mostre que ainda lembra-se dele, por exemplo, quando vê uma planta de que ele gosta, conte novidades do seu trabalho. Explore a relação construída. Um cliente satisfeito é sempre o nosso maior promotor.

O que essa história de engajamento e relacionamento tem a ver com vendas? Ser engajado é uma forma de demonstrar comprometimento e isso mostra que você realmente se importa com algo. Engajamento também significa acreditar naquilo que está sendo feito. Ou seja, você não faz apenas porque precisa ser feito, mas também porque faz sentido para quem você é e está alinhado com o que acredita. Não tem vitrine melhor que essa.

E mais, para vender você precisa de potenciais clientes. Para ter potenciais clientes você precisa mostrar o que é capaz de entregar. Em outras palavras, tem que se manter presente na vida das pessoas.

Agora que entendeu a história do “vendedor”, lembre-se: o seu negócio depende de vendas tanto quanto da criação de novos projetos. Se você não vai terceirizar esse serviço, precisa aprender a fazer.

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