A evolução dos bancos de jardim – por Vitoria Davies

Ao longo dos séculos, o mobiliário para jardim foi passando por mudanças no design e nos materiais usados na sua construção.

Os antigos egípcios usavam recursos naturais na produção de mobiliário, como grama de pântano e cana, que crescem nas margens do Rio Nilo. Embora feitos para uso em interiores, os egípcios os usavam também nos jardins.

Os antigos gregos foram os primeiros a produzir mobiliário feito exclusivamente para jardim, mais tarde copiado pelos romanos. Em geral os assentos eram feitos de pedra, bastante pesados e desconfortáveis. Algo como o que a imagem abaixo mostra:

Foto: Alamy

Os exemplos mais antigos de mobiliário para jardim foram descobertos por arqueologistas ao desenterrarem Pompeia, a antiga cidade romana, e se depararem com esses itens nos jardins das antigas casas da cidade.

Na Idade Média, os jardins eram mais funcionais do que decorativos; não era um lugar para se relaxar, mas para cultivar vegetais, frutas, ervas medicinais. Os assentos eram bancos de relva ou jardineiras arrematadas com relva, como se vê em pinturas de jardins do início do século 15.

Bancos de relva em pintura medieval. Via Google
Via Google

No Renascimento, o jardim voltou a ser um ambiente onde se relaxar, tomar chá, tocar música, fazer jogos. Os assentos usados nos interiores eram levados para o jardim. Sendo pesados demais para esse leva-e-traz do jardim, não demorou para que a primeira cadeira de jardim fosse criada – a cadeira Windsor, de origem inglesa. Datada do inicio do século 18, logo se tornou popular por ser muito leve. Embora originalmente criada como cadeira de jardim, mais tarde veio a ser usada também em interiores, como cadeira de jantar ou cadeira de cozinha, com o encosto mais baixo. cadeira de jantar ou cadeira de cozinha, com o encosto mais baixo.

Cadeira Windsor, primeira cadeira criada especificamente para ser usada em jardins, no início do século 18. Via Google
Cadeira Windsor em pintura da época. Via Google

No final do século 18 e início do século 19, já existiam jardins públicos e parques em todas as cidades. Havia grande demanda de assentos para essas áreas externas, o que resultou na criação do banco de praça.

Banco de praça icônico projetado pelo arquiteto britânico Edwin Lutyens (1869-1944). Via Google

Nesse período, também a indústria de ferro fundido começou a produzir bancos, cadeiras e mesas para a área externa.

Banco de ferro fundido. Via Google

Em meados do século 20, os jardins residenciais voltaram a ter destaque, com as pessoas se reunindo mais nas áreas externas, o que fez com que o mobiliário de jardim se tornasse uma necessidade. Novos materiais começaram a ser utilizados, em especial o plástico, e cadeiras e mesas de plástico se tornaram itens presentes em quase todos os jardins.

Hoje são produzidos todo tipo de bancos, assentos enfim, para a área externa, em diversos materiais, cores, e com designs bastante originais, ou mesmo esculturais, como se vê nos exemplos abaixo:

Banco Romeu e Julieta, criado por Stijn Goethals, Koen Baeyens e Basile Graux para a empresa Extremis. Os próprios vasos servem como pés do banco. Via Google
Banco em formato orgânico, de aço galvanizado com pintura eletrostática, criado pelo paisagista Amir Schlezinger. Via Google
Bancos como um prolongamento do piso, emergindo esculturalmente, no High Line em Nova York. Via Google
Variação sobre o mesmo tema: os bancos são uma continuação dos caminhos. Via Pinterest
Banco em forma de escultura, ou escultura em forma de banco? Via Pinterest
Via Pinterest
Please be seated, instalação criada pelo designer britânico Paul Cocksedge para o London Design Festival 2019. Via Google

Hoje realmente não há limites para a criatividade quando se trata de bancos para as áreas externas…

Não existe monotonia do lado de cima do Equador – por Vitoria Davies

Férias na Inglaterra, e o mês escolhido não poderia ter sido melhor: maio, primavera, mês do Chelsea Flower Show, muita alegria e cor espalhadas pela ilha…

Já no primeiro dia acordei e fui direto ao Regent’s Park. Além dos canteiros com combinações divinas de plantas – verdadeiras aulas de como combinar cores, formas e texturas, adorei ver a quantidade e variedade de Heucheras por todo lado, planta que me encanta:

Heucheras, a frente
Belíssima combinação de plantas no Regent’s Park

Sobre o Chelsea Flower Show, achei que o prêmio máximo – Best in Show –  conferido ao paisagista britânico Andy Sturgeon foi merecidíssimo: foi de fato o jardim mais inovador e impactante:

Por Andy Sturgeon – Chelsea Flower Show 2019. Muros feitos de madeira carbonizada, imitando pedras.

Na categoria Planta do Ano venceu o Sedum takesimense Atlantis (‘Nonsitnal’):

Antes de viajar, pesquisei sobre jardins em geral desconhecidos ou escondidos em Londres e arredores. Descobri um jardim que não é aberto ao público, mas que abriria em certa data de maio como parte do National Garden Scheme. Trata-se do jardim da The Charterhouse (The Charterhouse, Charterhouse Square – London EC1M 6AN), antigo monastério que, a partir do século VI, se tornou um asilo de idosos carentes.

É um jardim tipicamente inglês, bem cuidadíssimo, com uma bela variedade de plantas – um verdadeiro oásis para os idosos…

Descobri também uma fazenda de produção de lavandas nos arredores de Londres, Mayfield Lavender Farm, mas infelizmente elas ainda não tinham florescido na véspera do meu retorno, assim, desisti de ir.

Uma área recentemente desenvolvida que vale a pena visitar é o Coal Drops Yard, antiga parte da estação rodoviária de Kings Cross que se tornou uma área de lazer. Gostei muito dos longos ‘canteiros’ criados usando-se cestos de material impermeável para as plantas:

Por fim, no tocante a Arquitetura, o mais interessante que vi foi esse gasômetro transformado em prédio de apartamentos de luxo no Coal Drops Yard. Os britânicos definitivamente sabem inovar…